Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
A Câmara de Vereadores de Sarandi (7 km a leste de Maringá) derrubou, na sessão de anteontem à noite, o veto do prefeito Júlio Bifon (PSDB) ao projeto de lei que autoriza o município a reduzir a tarifa de água. Objetivo é baixar a tarifa mínima de R$ 10,00 para R$ 8,00. Em Sarandi, o sistema de abastecimento de água é municipalizado. Bifon classificou ontem a atitude dos vereadores de ‘‘política e demagógica’’. Segundo Bifon, o projeto criou uma expectativa na população de que o preço da água seria reduzido. ‘‘A energia elétrica e o combustível não baixaram, como nenhum outro serviço ou produto. Não há, portanto, motivo que leve a prefeitura a rever o valor da tarifa’’, acrescentou. Bifon disse que irá verificar a constitucionalidade ou não do projeto do Legislativo antes de cumprir o que está determinado.
Para o presidente da Câmara, João Barba Rala Corredato (PSD), um dos autores do projeto, a população carente do município é grande parte dos mais de 80 mil habitantes e não está conseguindo arcar com os custos da água. ‘‘As pessoas não aguentam pagar uma conta de R$ 20,00. O dinheiro faz muita falta e para o município não haveria problemas porque é a alta a arrecadação com a cobrança da água’’, justifica Barba Rala. O projeto é assinado ainda pelos vereadores Adércio Marques da Silva (PMDB) e Cilas Souza Morais (PMDB).
Barba Rala afirma que a arrecadação do Departamento de Água no mês de novembro ultrapassou R$ 265 mil. ‘‘As despesas não chegam a R$ 100 mil e o dinheiro que sobra nunca é investido no próprio sistema’’. Bifon argumenta que o município utiliza os recursos da água para outras áreas da prefeitura porque o repasse do Fundo de Participação do Município (FPM) é calculado para uma população de 60 mil habitantes. ‘‘Os números são defasados e por causa disso, o município perde mais de R$ 80 mil por mês’’, conta Bifon.
Para o prefeito, a população quer mais água e não tarifa social. O município enfrenta sérios problemas de abastecimento que se ampliaram com a estiagem. A prefeitura calcula que são necessários R$ 2 milhões para normalizar o sistema. ‘‘Estão faltando recursos até para colocar 3,5 mil hidrômetros que estão parados e inviabilizam uma cobrança correta’’, justifica Bifon.

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