Câmara decidirá futuro do moto-táxi
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de abril de 1997
Adriana De Cunto 
Milton DóriaComodidadeGleysson Loures e o passageiro Bezerra: com preços que variam de R$ 2 a 3 por corrida, novo serviço está conquistando clientesA Companhia Municipal de Urbanismo (Comurb) pretende entregar até o final do mês para a Câmara de Vereadores, parecer técnico sobre o trabalho das empresas de moto-táxi. Só com este documento em mãos os vereadores poderão votar o projeto de lei que cria o serviço na Cidade.
O autor do projeto, vereador Célio Guergoletto (PMDB), diz que a Comissão de Justiça da Câmara já concedeu parecer favorável. As outras comissões - Consumidor, Saúde e Segurança - resolveram acolher a decisão do plenário, informa Guergoletto. Segundo ele, agora só falta o parecer da Comurb para que o projeto volte a ser discutido.
Conforme a assessoria de imprensa da Comurb, a companhia está estudando a viabilidade do serviço sob o ponto de vista técnico e jurídico. Ele explica que os técnicos estão fazendo um levantando das experiências deste tipo implantadas em outras cidades brasileiras, como Apucarana e Curitiba.
A Comurb também está ouvindo entidades ligadas ao transporte público e ao trânsito reconhecidas nacionalmente e estudando a fundo o Código Nacional de Trânsito.
Uma coisa a Companhia já sabe. Caso o projeto seja aprovado pela Câmara, as motocicletas terão que usar um taxímetro. É que o Código de Trânsito exige, para cidades com mais de 100 mil habitantes, que os veículos de transporte individual de passageiros tenham taxímetro.
Atualmente, as quatro empresas de moto-táxi de Londrina estão trabalhando graças a uma liminar concedida pela Justiça. Só que, enquanto a situação não se define, esquenta a briga entre os taxistas convencionais e os motoqueiros. O Sindicato dos Taxistas Rodoviários Autônomos de Londrina já se manifestou contrário à iniciativa dos motoqueiros.
Uma das principais acusações do presidente da entidade, João Lopes de Oliveira, 53 anos, é a imprudência dos motoqueiros, a falta de segurança do veículo e também a falta de higiene - vários passageiros usam o mesmo capacete.
Mas o que deixa o presidente João Lopes de Oliveira mais irritado é que a população está abrindo mão do conforto dos táxis convencionais e aderindo ao preço mais baixo das motos. Eles estão tirando o nosso ganha-pão, reclama João de Oliveira.
Segundo o presidente do Sindicato, o movimento no período da noite caiu bastante depois que as motos-táxi começaram a circular pela Cidade em fevereiro deste ano. Ele comenta o que considera uma traição: um cliente fiel foi visto outro dia na garupa de um motoqueiro taxista.
O proprietário da Moto-Táxi Londrina, Gleysson Suenson Loures, 30 anos, não acredita que as motocicletas estão roubando mercado dos táxis convencionais. A maioria dos nossos clientes são pessoas de baixa renda, de bairros da periferia, como Ernani Moura Lima (zona leste), parque Ouro Branco (zona sul) e Cafezal (zona sul). São pessoas que não têm dinheiro para gastar com táxi comum.
Ele diz que a cada dia aumenta ainda mais o número de pessoas que usam o moto-táxi. A sua empresa tem 22 motoqueiros que fazem entre 200 e 280 corridas por dia. Se a lei não for aprovada pela Câmara de Vereadores, os londrinenses é que vão perder.
Entre as empresas entrevistadas, o preço da corrida é o mesmo: R$ 2,00 das 7 às 21 horas e R$ 3,00 das 21 horas às 7 horas. Aos sábados, a partir das 12 horas, domingos e feriados, R$ 3. Em uma das empresas, varia apenas o horário de alteração do preço.


