Giovani Ferreira
De Curitiba
Os representantes das entidades que compõem a Câmara Técnica do Karst decidiram que a Sanepar deve paralisar todas as obras de bombeamento de água e perfuração de novos poços no aquífero, em Colombo. A decisão foi tomada em uma reunião extraordinária realizada na tarde de ontem, no Fórum do município, sob a pressão de aproximadamente 200 pessoas, que faziam um protesto pedindo a suspensão das obras até a conclusão e aprovação do Eia-Rima (estudo de impacto ambiental necessário para a exploração do aquífero).
A reunião terminou por volta das 17h30, e foi comemorada pelos agricultores que estavam presentes. A Folha tentou ouvir a Sanepar, mas não conseguiu contato com as pessoas responsáveis pelas obras do aquífero, para saber se isso representaria o corte no abastecimento da população urbana de Colombo. A dúvida agora é se a Sanepar vai cumprir a determinação da Câmara Técnica, uma vez que a companhia de sanemaento alega que utiliza a água do Karst para abastecer a população de Colombo.
A data em que as obras devem ser paralisadas não foi definida. A Câmara Técnica precisa primeiro comunicar oficialmente a Sanepar sobre a decisão, o que deve acontecer nos próximos dias. A suspensão das obras foi definida em votação pelos integrantes da câmara. Os únicos que votaram contra foram os representantes da Sanepar e da Suderhsa.
No início da tarde de ontem, antes da decisão tomada na reunião da câmara, a Associação dos Produtores Agrícolas de Colombo entrou na Justiça para tentar paralisar as obras de exploração do aquífero. A ação civil, que ainda foi assinada pela Associação Xama e Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Colombo, também pede a paralisação das obras até a conclusão do estudo de impacto ambiental.
A reunião de ontem foi solicitada pela Sanepar, que pretende voltar a explorar os dois poços da comunidade de Buchininga, onde as obras foram paralisadas pelos agricultores. Em todo o Karst existem 35 poços perfurados pela Sanepar. Desse total, 11 estão bombeando água normalmente, os dois do Buchininga estão parados desde o dia 21 e os outros foram abandonados porque não deram vazão ou não apresentaram condições de uso.
A princípio a Sanepar descarta qualquer possibilidade de paralisar a exploração, uma vez que a água também está sendo utilizada para abastecer a população de Colombo. Em sua explanação durante a reunião, a engenheira da Sanepar, Rosa Maria Saunitto, disse que ‘‘não tem outra solução’’. Segundo ela, o Aquífero Karst é a única maneira barata de fornecer água para a região.
Com uma população de 160 mil habitantes, Colombo tem uma demanda de água na ordem de 160 litros/segundo que saem do Karst, mais 60 litros por/segundo do sistema de Curitiba. Rosa Maria explicou que uma das preocupações da Sanepar, é a expectativa de consumo para os próximos anos. Conforme previsão da engenheira, no ano 2000 o município deve estar consumindo 480 litros/segundo, chegando a 649 litros em 2005 e 829 litros em 2010.
A Sanepar também entende ser complicado adotar as soluções apresentadas pelos agricultores, que sugerem o abastecimento de Colombo com água da Barragem do Iraí e da Represa Capivari. A Companhia de Saneamento alega que além de ficar muito caro para levar até Colombo, a água do Iraí vai estar disponível somente daqui há três anos. Sobre a questão da Capivari, a Sanepar nem pode discutir, uma vez que a represa é utilizada pela Copel.Decisão foi tomada em uma reunião realizada ontem no Fórum de Colombo. Data em que as obras devem ser paralisadas não foi definida
PressãoAgricultores e moradores de Colombo realizaram um protesto em frente do Fórum, onde a reunião da Câmara Técnica foi realizada a pedido da Sanepar. Empresa pretende voltar a explorar dois poços na comunidade de Buchininga, onde as obras foram paralisadas

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