O presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Adalberto Pereira da Silva (PFL), disse ontem ter sido surpreendido com a abertura de sindicância da Corregedoria-Geral da Justiça para apurar denúncias contra o juiz da 1ª Vara Cível, Manoel Sebastião da Silveira Filho. No início deste ano, o juiz londrinense cassou uma liminar concedida por desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná que garantia a ampliação do mandado da mesa diretiva da Câmara de um para dois anos.
‘‘Na época, considerei estranha a cassação da nossa liminar’’, afirma Adalberto da Silva, ressaltando no entanto que não tem como ligá-la a possíveis pressões do Executivo Municipal, que desejava a eleição de uma nova mesa diretiva para a Câmara. ‘‘Também nunca chegou até nós a denúncia de empresas de que estariam sendo prejudicadas por ações do juiz da 1ª Vara Cível. Se isto tivesse acontecido, teríamos lutado pelas providências cabíveis. Não sabemos de nada neste sentido.’’
O líder do prefeito Antonio Belinati (sem partido) na Câmara, vereador Renato Araújo (PPB), é outro que se diz surpreso com a sindicância. ‘‘Algum fato muito sério, muito grave, deve ter ocorrido para que a Corregedoria tenha tomado esta atitude. Até porque, o corpo de juízes de Londrina é dos mais honrados do Estado. Como vereador, jamais soube de denúncias contra o referido juiz ou qualquer outro’’, comentou Araújo.
O vereador Salvador Francisco (PSB) parece ser o único que já esperava pela sindicância. ‘‘Era voz corrente no Fórum, nos últimos meses, que o juiz era alvo de investigações. Há muitos boatos sobre favorecimentos ou prejuízos a empresas’’, disse o vereador. No início do ano passado, ele liderou movimento que solicitou ao TJ a transferência do juiz para outra comarca. ‘‘Louvamos a atitude da Corregedoria de abrir a investigação. Caso as denúncias contra o juiz sejam julgadas procedentes, será necessário que o TJ também reveja as sentenças e decisões tomadas por ele nos últimos anos, sempre prejudiciais à Prefeitura e à população quando envolvia a questão do transporte coletivo.’’

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