Vários vereadores comentaram ontem, durante a sessão da Câmara de Londrina, a denúncia de que uma licitação da prefeitura teria sido fraudada para beneficiar a empresa Esteio Engenharia e Aerolevantamento S.A., de Curitiba, que receberia R$ 8 milhões para executar serviços fotogramétricos na cidade. A denúncia de irregularidades na concorrência foi feita pelo geógrafo e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Omar Neto Fernandes Barros, e publicada pela Folha na edição de domingo.
O presidente da Comissão de Finanças da Câmara, Carlos Kita (PTB) considerou a idéia de convidar os secretário da Fazenda, Luiz César Guedes, e de Governo, Gino Azzolini Neto, para prestarem esclarecimentos sobre a denúncia. ‘‘Estamos preocupados com estas aparentes irregularidades’’, comentou Kita.
Segundo ele, a Comissão de Finanças se reúne hoje para definir pela convocação ou não dos secretários à próxima sessão da Câmara. ‘‘Os vereadores estão exigindo explicações, apesar de o prefeito já ter cancelado o processo’’.
A vereadora Elza Correia (sem partido) disse achar preocupante a denúncia de fraude em uma licitação municipal. ‘‘É importante que se aprove um pedido de informações ao secretário de Fazenda, porque há contradição entre os valores anunciados por ele e os que realmente seriam gastos’’, ressaltou.
O próprio líder do prefeito Antonio Belinati na Câmara, Renato Araújo (PPB), afirmou ter ficado indignado com a denúncia. ‘‘É lógico que o prefeito nem sempre fica sabendo de tudo o que acontece em todas as secretarias, mas é urgente que ele tome forte as rédeas do poder’’, ressaltou Araújo.
Moysés Leônidas (PDT) criticou o fato de o secretário de Fazenda ter dito imprensa, que não sabia que o custo dos serviços fotogramétricos seria tão caro. ‘‘Ele comentou que achava que seriam uns R$ 3,5 milhões. Mas a licitação fala em R$ 8 milhões. A diferença é grande, talvez porque as fotografias aéreas fossem incluir também São Paulo’’, ironizou o vereador.
O secretário de Negócios Jurídicos da prefeitura, Eduardo Duarte Ferreira, disse ontem que, para ele, o assunto está encerrado com a decisão do prefeito de suspender a licitação. ‘‘Quero ressaltar que a suspensão do processo é por contenção de despesas e não devido à denúncia do professor.’
Segundo Ferreira, a comissão de licitação - presidida por ele - está tranquila com relação à idoneidade do processo. ‘‘O processo foi transparente, tanto que o professor teve acesso às informações’’, comentou. Ferreira voltou a dizer que apenas duas empresas participaram da licitação e que Omar Neto pode ter publicado anúncio com o nome das duas.
O presidente da Esteio Engenharia e Aerolevantamentos, Marlos Coelho, pretende vir a Londrina na segunda-feira para tratar do assunto com o prefeito. Em entrevista à Folha ontem, por telefone, ele disse que a denúncia é absurda. ‘‘Diariamente há licitações com apenas uma ou duas empresas participando. No nosso caso, participamos nós e mais uma empresa. Nesse caso, é fácil dizer que essa ou aquela vai ganhar a licitação.’
Ele esclareceu que o trabalho que faria para a prefeitura era de recadastramento imobiliário, que permite a atualização dos cadastros. (Colaborou Benê Bianchi)

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