A Sala de Sessões da Câmara de Londrina ficou lotada na manhã de ontem por causa da discussão do projeto de lei que visa regulamentar o horário de funcoinamento dos bares da cidade. Vereadores, representantes da Polícia Militar, Ministério Público, sindicatos e Associações de Moradores passaram mais de três horas debatendo a aplicabilidade da medida.
O projeto, apresentado pelos vereadores Gláudio Renato de Lima e Luiz Carlos Tamarozzi, determina que bares e similares devem fechar as portas a partir das 23 horas em todos os dias da semana. ''Similares são todos os locais que têm como finalidade vender exclusivamente bebidas alcóolicas. Restaurantes e boates, que oferecem comida, não estão incluídos'', explicou Lima.
O projeto foi inspirado nos exemplos de cidades como Diadema (SP) e Apucarana, que já obrigam esses estabelecimentos a fechar mais cedo como forma de combater a violência. ''Os resultados são rápidos e positivos. Os números de agressão familiar, embriaguez ao volante e vários outros caíram muito depois da lei. Ela não resolve o problema sozinha, mas ajuda muito'', afirmou o prefeito de Apucarana, Valter Pegorer.
A iniciativa tem o apoio de várias entidades, que garantem que o consumo elevado de bebidas alcóolicas incentiva atitudes violentas na população. ''11,4% das ocorrências atendidas pela PM acontecem durante a madrugada. Se levarmos em conta que a população nas ruas nesse horário é muito menor, esse número é alto. A embriaguez está muito ligada às ocorrências menores e se conseguíssemos diminuir essas situações, teríamos mais condições de atender casos mais graves, como homicídios e roubos. Alei não vai resolver todo o problema, mas acreditamos que vai ajudar muito'', completou o major Sérgio Dalben, do 5º Batalhão da Polícia Militar.
Para os comerciantes que trabalham com a venda de bebidas, é necessário discutir melhor a questão do funcionamento. ''A proposta não esclarece direito o que é restaurante. Qualquer pessoa que vender um prato feito poderá ficar aberto. É preciso lembrar que Londrina é uma cidade que recebe muitas pessoas graças à sua vida noturna'', questionou o presidente do Londrina Convention and Visitors Bureau, Nivaldo Benvenho.
''Acho a idéia válida, mas do jeito que está colocada só vai afetar a população pobre, que frequenta os bares de bairro. O governo precisa investir na valorização do cidadão, com emprego, saúde, escola'', comentou a presidente da Associação das Mulheres Batalhadoras de Londrina, Rosalina Batista.
Durante a sessão, os participantes decidiram realizar pelo menos mais quatro debates junto à população. Também serão debatidos a situação de boliches, bilhares e festas, além de se criar um conselho municipal de segurança e cobrar mais rigor na liberação de alvarás. No prazo de uma semana, a Câmara irá disponibilizar no site www.cml.pr.gov.br todas as informações sobre a lei e um espaço para sugestões e comentários. O projeto foi aprovado em primeira discussão e retirado de pauta.

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