Os serviços prestados pela Sanepar em Cascavel não atendem às expectativas da população. O volume de investimentos da empresa na cidade é pequeno em comparação ao que arrecada com as tarifas de água e esgoto. São algumas das conclusões da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara que investiga a atuação da Sanepar no município. O relatório final da CEI foi apresentado na sessão de anteontem à noite e aprovado por unanimidade pelos vereadores. O resultado será enviado ao Ministério Público para providências ‘‘no sentido de proteger o contribuinte, que acaba arcando com os custos e não recebe um tratamento digno por parte da Sanepar’’ - ressalta o documento.
De acordo com o presidente da CEI, vereador Júlio César Leme da Silva (PMDB), os membros da comissão destacaram que ‘‘a Sanepar precisa fazer uma série de investimentos para honrar a concessão e explorar os serviços de água e esgoto em Cascavel’’. O relator da comissão, vereador Celsuir Veronese (PSDB), ressaltoutambém que para garantir a qualidade da água consumida pelos moradores de Cascavel a Sanepar ‘‘deve buscar a substituição do cloro gasoso pelo dióxido de cloro, produto mais eficiente e com menores índices de rejeição à saúde humana’’. A CEI ouviu representantes da empresa, usuários e autoridades municipais para chegar às conclusões.
O relatório sugere ainda que seja protocolado projeto de lei na Câmara obrigando a Sanepar a realizar exames periódicos de água, de acordo com normas da Vigilância Sanitária. Outra constatação da CEI foi que a Sanepar vem reduzindo a cada dia a presença de trabalhadores especializados em seu quadro funcional. ‘‘Isso prejudica sensivelmente a qualidade do serviço, sem contar que a demanda está aumentando com o acréscimo de novos usuários do sistema’’, disse Veronese.
Os vereadores que compuseram a CEI concluíram que das três estações de tratamento de esgoto instaladas no município, apenas uma opera parcialmente e todas despejam coliformes fecais nos rios em quantidade acima do permitido, desobedecendo resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Segundo a assessoria de imprensa da Sanepar, a empresa foi informada extra-oficialmente sobre o relatório, que será enviado para a direção em Curitiba. Somente após a analisá-lo a Sanepar irá se pronunciar.

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