Câmara cria 4 CPIs em Ubiratã
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quinta-feira, 17 de dezembro de 1998
Sid Sauer 
A Câmara de Vereadores de Ubiratã (96 km a sudoeste de Campo Mourão) aprovou esta semana a criação de quatro comissões parlamentares de inquérito (CPIs) para apurar denúncias de irregularidades contra a prefeitura. As quatro comissões foram aprovadas por unanimidade, inclusive com os votos dos dois únicos vereadores que apóiam a administração do prefeito Tomaz Izidro de Lima (PTB). Apesar da polêmica, a sessão foi tranquila.
Uma das CPIs vai investigar gastos com a empresa Franklin Pesquisa de Mercado e Opinião Pública, de Umuarama. Os vereadores acusam o prefeito de se contradizer em informações enviadas à Câmara. Na primeira, em setembro de 97, o município informou que gastou R$ 1,8 mil com a empresa, mas o valor subiu para R$ 12,6 mil quando foram enviadas aos vereadores cópias de cheques emitidos para a empresa, em outubro.
Os vereadores alegam ainda que o dono da empresa, Odival Viviam, assegura ter recebido apenas os R$ 1,8 mil. Uma segunda comissão vai apurar a denúncia de mau uso do dinheiro público na compra e reforma de um ônibus e na aquisição de equipamentos médicos e odontológicos. Os vereadores alegam que a prefeitura não tem documentos que comprovam as aquisições, como cópias de empenho, notas fiscais e cheques.
Uma terceira comissão vai apurar os gastos das linhas telefônicas da prefeitura. Os vereadores aprovaram a investigação porque estranharam a ausência da Telepar entre os credores com contas a receber do município. Segundo eles, isso contradiz com o fato de vários órgãos mantidos pela prefeitura estarem com as linhas parcialmente cortadas, apenas recebendo ligações. Já a quarta CPI vai investigar gastos da prefeitura com publicidade. Os vereadores acusam a prefeitura de não abrir licitação para contratar serviços de divulgação.
Além das quatro CPIs, a Câmara aprovou durante a semana um requerimento que convoca dois ex-secretários municipais de Viação e Serviços Rurais e o atual responsável pela pasta para prestar esclarecimentos sobre as altas despesas com reformas e consertos de equipamentos e maquinários. Os vereadores querem saber também sobre o desaparecimento de vigas de concreto destinadas à construção de ponte sobre o Rio Pinhãozinho.
Cada comissão parlamentar de inquérito é formada por cinco vereadores e tem 120 dias para apresentar o relatório. A Folha não conseguiu falar ontem com o prefeito. O chefe de gabinete e o secretário de Administração também não estavam na prefeitura.


