Os vereadores de Londrina aprovaram por unanimidade, na sessão de ontem, um requerimento de Roberto Kanashiro (PSDB) convidando o secretário estadual de Saúde, Armando Raggio, a comparecer na Câmara, o mais breve possível, para prestar informações sobre o que consideram como uma grave crise no setor de saúde da cidade.
Vários vereadores criticaram a demora do governo do Estado em repassar as verbas necessárias ao Cismepar para a manutenção dos serviços prestados nos hospitais estaduais da Zona Norte e Zona Sul de Londrina. ‘‘Tivemos uma luta de mais de dez anos para a construção, implantação e pleno funcionamento destes dois hospitais estratégicos para o atendimento dos pacientes do SUS. Não podemos, agora, abrir mão destes serviços’’, afirmou Tercílio Turini (PSDB).
Segundo ele, a demissão de funcionários pela Cismepar e a desativação do atendimento em alguns setores dos dois hospitais levará a um estrangulamento nos três hospitais terciários: Santa Casa, Evangélico e Hospital Universitário (HU). ‘‘Há, inclusive, a ameaça de alternância - dia sim, dia não - na escala de plantões do pronto-socorro dos dois hospitais estaduais administrados pelo Cismepar. Isto seria um absurdo, e superlotaria ainda mais os pronto-socorros já sobrecarregados dos outros hospitais’’, comentou Turini, que é médico.
Ele criticou a retirada da saúde pública do elenco de prioridades do governo do Paraná. ‘‘As verbas foram diminuindo nos últimos anos, e hoje significam apenas 2,5% do Orçamento. Isto é muito pouco’’, disse Turini. Adalberto Pereira (PFL) ressaltou que o governo deveria investir mais na saúde pública, ao invés de ficar repassando recursos para equipes esportivas patrocinadas pela iniciativa privada. Antenor Ribeiro contou que a crise nos hospitais estaduais ‘‘é tão grave e absurda que falta até roupa de cama no da Zona Sul.’’ A Folha tentou entrevistar Armando Raggio, mas a assessoria do secretário informou que seria ‘‘impossível’’ o contato com ele ontem.

mockup