Arquivo FolhaPresença garantidaMaria de Oliveira, superintendente do Incra: ‘Virei com certeza’O clima de tensão, as constantes ameaças e a troca de acusações entre fazendeiros e sem-terra estão preocupando os vereadores de Londrina. A Câmara Municipal decidiu participar das discussões sobre reforma agrária na região e convocou uma assembléia para o próximo dia 20 com as autoridades do setor.
A primeira convidada foi a superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-PR), Maria de Oliveira. Ela já se comprometeu a participar.
A situação na região é tensa, com os fazendeiros ameaçando formar uma polícia rural para tentar conter as invasões e, especialmente, impedir a formação de um acampamento de cinco mil famílias, proposto pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). A intenção do movimento é arregimentar famílias de desempregados na periferia das cidades da região.
O MST pretende realizar o acampamento ainda no primeiro semestre, possivelmente na fazenda Serraria, no município de Tamarana. Mesmo diante do acordo firmado entre o Incra e o movimento estadual, os líderes dos sem-terra da região já adiantaram que o acampamento será realizado.
A vereadora Elza Correia (PC do B) afirma que o objetivo da assembléia é ouvir as partes envolvidas para prestar esclarecimentos gerais. ‘‘Solução nós não temos, mas precisamos fazer alguma coisa para evitar o armamento até os dentes.’’ Também estão sendo convidados vereadores e prefeitos de Tamarana, Mauá da Serra, Maringá, Jataizinho, Ibiporã e Cambé.
‘‘Onde tiver alguém pensando em reforma agrária, devo estar, primeiro porque é meu dever dentro da instituição’’, disse Maria de Oliveira. ‘‘Virei com certeza’’. Durante o convite, feito na última visita da superintendente a Londrina, anteontem, ela aproveitou para esboçar uma pauta para a assembléia. O primeiro ponto a ser esclarecido, segundo Maria de Oliveira, é o planejamento da reforma agrária para a região. Ela ainda citou o desespero dos fazendeiros e a forma de defesa das propriedades como tópicos a serem abordados.
Maria de Oliveira destacou a importância do envolvimento dos três governos - federal, estadual e municipal - na questão agrária. ‘‘Precisamos necessariamente do envolvimento dos municípios, senão será muito difícil promover a reforma agrária.’’ Segundo ela, os municípios devem ser parceiros no processo, ajudando, por exemplo, na abertura de estradas aos assentamentos, ‘‘que vão, inclusive, facilitar o acesso à zona rural’’ e no cadastramento de famílias.

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