Câmara convoca assembléia para discutir reforma agrária
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 1997
Edmara Michetti 
Arquivo FolhaPresença garantidaMaria de Oliveira, superintendente do Incra: Virei com certezaO clima de tensão, as constantes ameaças e a troca de acusações entre fazendeiros e sem-terra estão preocupando os vereadores de Londrina. A Câmara Municipal decidiu participar das discussões sobre reforma agrária na região e convocou uma assembléia para o próximo dia 20 com as autoridades do setor.
A primeira convidada foi a superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-PR), Maria de Oliveira. Ela já se comprometeu a participar.
A situação na região é tensa, com os fazendeiros ameaçando formar uma polícia rural para tentar conter as invasões e, especialmente, impedir a formação de um acampamento de cinco mil famílias, proposto pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). A intenção do movimento é arregimentar famílias de desempregados na periferia das cidades da região.
O MST pretende realizar o acampamento ainda no primeiro semestre, possivelmente na fazenda Serraria, no município de Tamarana. Mesmo diante do acordo firmado entre o Incra e o movimento estadual, os líderes dos sem-terra da região já adiantaram que o acampamento será realizado.
A vereadora Elza Correia (PC do B) afirma que o objetivo da assembléia é ouvir as partes envolvidas para prestar esclarecimentos gerais. Solução nós não temos, mas precisamos fazer alguma coisa para evitar o armamento até os dentes. Também estão sendo convidados vereadores e prefeitos de Tamarana, Mauá da Serra, Maringá, Jataizinho, Ibiporã e Cambé.
Onde tiver alguém pensando em reforma agrária, devo estar, primeiro porque é meu dever dentro da instituição, disse Maria de Oliveira. Virei com certeza. Durante o convite, feito na última visita da superintendente a Londrina, anteontem, ela aproveitou para esboçar uma pauta para a assembléia. O primeiro ponto a ser esclarecido, segundo Maria de Oliveira, é o planejamento da reforma agrária para a região. Ela ainda citou o desespero dos fazendeiros e a forma de defesa das propriedades como tópicos a serem abordados.
Maria de Oliveira destacou a importância do envolvimento dos três governos - federal, estadual e municipal - na questão agrária. Precisamos necessariamente do envolvimento dos municípios, senão será muito difícil promover a reforma agrária. Segundo ela, os municípios devem ser parceiros no processo, ajudando, por exemplo, na abertura de estradas aos assentamentos, que vão, inclusive, facilitar o acesso à zona rural e no cadastramento de famílias.


