Câmara conhece outros sistemas de lixo
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segunda-feira, 23 de abril de 2001
Érika Pelegrino De Londrina 
A discussão sobre a municipalização ou terceirização dos serviços de limpeza pública e coleta de lixo de Londrina levou uma comissão de oito vereadores a Maringá e Arapongas, ontem à tarde. O objetivo foi conhecer sistemas de gerenciamento em cidades que já municipalizaram os serviços, para embasar o debate que já se tornou a primeira disputa entre a Câmara e a administração do prefeito Nedson Micheleti (PT).
Os dois municípios visitados pela comissão de vereadores estão em fases distintas de municipalização. Maringá tem 290 mil habitantes, gera diariamente 280 toneladas de lixo e tem um Lixão em condições caóticas, com todo tipo de lixo sendo despejado no local, inclusive o hospitalar.
A atual administração (prefeito José Claudio Pereira Neto, do PT) está tentando diminuir a quantidade de materiais que chegam ao Lixão, segundo o secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Marino Elígio Gonçalves. A prefeitura está começando a investir em coleta seletiva através de uma experiência piloto no bairro Borba Gato, zona sul da cidade.
Em conjunto com associações de moradores e cooperativas de 140 trabalhadores que atuavam no Lixão, a prefeitura pretende até setembro implantar a coleta seletiva em todos os bairros e diminuir 60% do lixo depositado no local. A meta principal é o saneamento da área. O secretário não informou quanto o município gasta por mês com coleta de lixo e limpeza pública.
Com 100 mil habitantes, Arapongas tem um serviço melhor estruturado. Um aterro recebe o lixo domiciliar (50 toneladas/dia) e o hospitalar (500 quilos por dia). O lixo industrial (140 toneladas por dia) vai para um aterro específico. As próprias empresas se responsabilizam pela coleta, transporte e destinação deste resíduo. A prefeitura apenas administra o aterro em conjunto com o Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas (SIMA).
Apenas 20% do lixo coletado vai para o aterro de rejeitos. A maior parte é encaminhada para a Usina de Reciclagem e Compostagem, onde se faz a separação manual numa esteira. O material reciclável vai para o depósito onde e é enfardado para ser vendido em leilões, o lixo orgânico é triturado para compostagem e o rejeito vai para o aterro.
O material da coleta seletiva, implantada em quase toda cidade, com exceção da área central, vai direto para o depósito para ser enfardado. Rende R$ 9 mil com a venda, mas o secretário de Serviços Públicos, Mauro Rodrigues Mello afirma que o lucro não é finaceiro, mas sim ambiental.
Hoje 200 funcionários de carreira trabalham no setor e ainda é preciso a contratação de mais - garante ele. A usina de Arapongas é igual à comprada em 1994 e até hoje não implantada em Londrina, só que três vezes menor. Segundo Mello, a usina de Arapongas ficou 11 anos parada e só foi colocada em funcionamento em 1999, a um custo de R$ 400 mil. Ele afirma que para colocar a usina de Londrina em funcionamento seriam necessários R$ 600 mil.
Por mês são gastos, em Arapongas, R$ 120 mil com limpeza pública (30% da cidade é varrida diariamente) e coleta de lixo (a coleta da tonelada do lixo domiciliar custa R$ 29,00). Com quase 500 mil habitantes e uma produção diária de 370 toneladas por dia de lixo domiciliar, o serviço de coleta de lixo em Londrina custa hoje R$ 600 mil por mês. O secretário lembraque Arapongas, além de ser menor, é privilegiada em outros fatores que influenciam no custo do serviço: topografia, pavimentação, distância do aterro.
No final das visitas os vereadores londrinenses afirmaram que Maringá ainda está em fase experimental, mas se entusiasmaram com Arapongas. A vereadora Elza Correa (PMDB) afirmou que a experiência é muito interessante e será analisada dentro das especificidades de Londrina.


