A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou ontem em primeira discussão o projeto de lei do Executivo que autoriza a complementação de até R$ 42 mil às Organizações Não-Governamentais (ONGs) Canaã e Acal, administradoras do Shopping Popular (Área Central). Pelo documento, as duas entidades também poderão ser beneficiadas com a abertura de crédito adicional suplementar do mesmo valor junto à Secretaria Municipal de Governo.
Apesar da aprovação com 16 votos a favor e um contrário, uma abstenção e três ausências, o projeto gerou discussão no plenário. Isso em razão de supostos indícios de irregularidades na prestação de contas da Canaã à Auditoria do Município, apontados por membros da Comissão de Finanças do Legislativo.
Para o presidente a comissão, o vereador Rubens Canizares (PHS), a constatação veio das análises preliminares feitas em conjunto com a auditoria. De acordo com ele, o laudo final da documentação apresentada pela ONG fica pronto em 15 dias. ''Há desde a falta de planejamento em pagamentos de contas e INSS e FGTS de funcionários, até a falta de escrituração contábil, o que abre o leque para outras irregularidades'', afirmou.
Canizares apresentou aos vereadores cópias de três cheques de R$ 7 mil, resultado de um contrato de exploração de espaço publicitário firmado entre a Canaã e a Sercomtel, em dezembro passado. De acordo com o vereador, os R$ 21 mil não teriam sido apresentados na prestação de contas ao município.
O presidente da Canaã, Ulisses Sabino, informou que o valor foi depositado em juízo para cobrir dívidas da administração anterior. ''Não existe erro na prestação. Todos os documentos que forem necessários, apresentaremos'', rebateu.
Segundo o presidente da Sercomtel, João Rezende, os R$ 21 mil do contrato foram repassados por meio da empresa Epromo, coligada da Exclam licitada para o grupo londrinense. ''O valor refere-se ao pagamento mensal de R$ 1.750 à ONG'', explicou.
O auditor da Prefeitura, Sílvio Meira, não quis comentar os resultados das análises dos documentos. ''Aguardamos mais material e ainda ouviremos pessoas da ong e do Shopping para então falar se há ou não irregularidades'', resumiu.

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