Para os integrantes da União de Artesãos da praça Floriano Peixoto (Uniflor), o dia de trabalho ontem foi normal, apesar de ter vencido o prazo dado pela prefeitura para desocupação do local. Segundo o assessor de assuntos comunitários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Carlos Xavier, as obras de revitalização da praça devem ter início na próxima semana. Para ele, a reforma e a permanência das barracas são ''incompatíveis''. Na Câmara, os vereadores aprovaram, em primeira votação, projeto que garante a permanência dos artesãos nas praças centrais.
De autoria do vereador Carlos Bordin (PP), o projeto garante a permanência dos artesãos nas praças Floriano Peixoto e Rocha Pombo, através da ''concessão de alvará de funcionamento imediatamente após a conclusão da reforma e revitalização''. A matéria será votada em segundo turno na próxima semana e depois segue para apreciação do prefeito Nedson Micheleti (PT). Xavier acredita que o prefeito vetará o projeto. Ele achou precipitada a atitude do vereador de encaminhar o projeto para votação sem conversar com presidente da CMTU.
Ontem, os artesãos colocaram faixas de protesto no local e afirmam que vão continuar trabalhando normalmente, independente da reforma. ''Fazemos arte e isso é cultura. Ainda vivemos disto aqui'', desabafou Wagner Saraiva Peres, 35 anos, que está no local há 15 anos. ''A permanência deles é uma afronta ao poder público. Há duas posições antagônicas neste caso e uma das partes deverá ceder. O poder público fará tudo para defender o interesse da comunidade'', rebateu Xavier.
Para a CMTU, o problema foi a falta de diálogo dos artesãos. Eles teriam se recusado a discutir a possibilidade de transferência para o futuro Centro de Referência do Artesanato, que seria montado em um prédio na Avenida Rio de Janeiro (área central). O presidente da Uniflor, Demindo Florentino, disse que o local não é grande o suficiente para abrigar praticamente ''todos os artesãos de Londrina''.
Já o presidente da CMTU, Wilson Sella, explicou que o centro seria adequado porque funcionaria como um local para divulgação e comercialização do artesanato, não como uma oficina de produção. Ele afirmou que deverá buscar um diálogo com os artesãos para viabilizar a desocupação. ''É uma incoerência. Os artesãos estão achando que a praça é deles'', disse. Ele informou também que a intenção da administração é fazer uma revitalização completa da praça.

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