Câmara adia morte de cachorros
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Depois de mais de uma hora de discussão e até de uma interrupção da sessão para um parecer de emergência da assessoria jurídica, a Câmara de Vereadores de Campo Mourão adiou para agosto a votação do projeto de lei que decide o sacrifício ou não dos cachorros errantes da cidade.
O projeto deveria ter sido votado anteotem à noite, mas o vereador José Luiz Gurgel (PMDB) entrou com um pedido de vistas para analisar melhor a questão. A estratégia serviu para ele ganhar tempo e evitar o início da carrocinha.
Levantamento feito pela Folha indica que atualmente a maioria dos vereadores é favorável à matança dos animais que vivem soltos nas ruas. O projeto que retira o sacrifício da legislação atual, por exemplo, só vai ser votado se, antes, a Câmara derrubar o substitutivo apresentado pelo vereador José Eugênio Maciel (PSDB).
O substitutivo mantém o sacrifício e conta com o apoio de pelo menos 9 dos 15 vereadores. Na sessão de segunda-feira, um dos vereadores contrários à matança, Janir Barbosa (PDT), não compareceu.
A sessão que discutiu o futuro dos cachorros de Campo Mourão lotou o plenário da Câmara. A maioria dos presentes era contra a matança, mas os adeptos da carrocinha também compareceram.
Cachorro abandonado, povo contaminado, dizia um cartaz levado por moradores de um bairro que estaria infestado de animais errantes. Nós (cachorros) somos seus melhores amigos, respondia uma faixa da recém criada Sociedade Protetora dos Animais de Campo Mourão.
Dúvidas Antes do projeto da carrocinha ir à votação, alguns vereadores usaram a palavra livre para condenar o sacrifício. Eu não sei fazer cachorro, disse Gurgel. E se não sei fazê-los, não posso matá-los.
Ele queria adiar a votação por mais duas sessões, mas a bancada de situação (PSDB e parte do PDT) disse que só aceitava o pedido de vistas por uma sessão. A reunião ainda teve que ser interrompida para que a assessoria jurídica esclarecesse algumas dúvidas surgidas durante a discussão.
Gurgel alega que o projeto envolve gasto de dinheiro e, por isso, teria que passar pela Comissão de Finanças e Orçamento, o que não aconteceu. O presidente da Câmara, Edson Battilani (PSDB), acha que não.
O secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Márcio Nunes, já anunciou que vai continuar esperando a decisão da Câmara para colocar ou não a carrocinha em funcionamento. A estrutura está pronta há dois meses. Ele acha que a esterilização, proposta no substitutivo, pode ser cara e inviável.


