Da Sucursal

Ademir Dagui Alves, desempregado, com os filhos, tira água de um poço: como a maior parte dos invasores, ele veio de Pinhais, com a mulher e três filhasUm grupo de vereadores de Piraquara, na região de Curitiba, está acusando a prefeitura de facilitar a invasão em áreas de mananciais do município. Segundo os vereadores, no último final de semana, máquinas da prefeitura estavam no local para abrir ruas e valetas.
O vereador Gabriel Samaha (PMDB) diz que na última sexta-feira uma máquina da prefeitura ficou atolada no banhado na área dos jardins Tarumã 1 e 2, durante a abertura de uma rua. ‘‘A prefeitura está sendo conivente, já que abre ruas e drena a água’’, argumenta ele.
A vereadora Indiamara do Rocio Szczepamik (PMDB) também discorda da atitude da prefeitrua diante das invasões. ‘‘Se a prefeitura não colabora para a preservação da área, quem é que vai colaborar?’’, questiona.
Para o PT de Piraquara, a prefeitura também está facilitando as invasões. Em nota enviada à Folha, o partido alega que a prefeitura deveria ter proibido as ocupações, já que se trata de área de manancial.
O secretário municipal do Meio Ambiente, Ari Soares, diz que as acusações partem de ‘‘pessoas ignorantes que não sabem de nada’’. Segundo ele, a prefeitura abriu valetas nos terrenos no Jardim Tarumã 1 e 2 á- áreas mais recentes de invasão, com cerca de 230 famílias - para delimitar a área que não deve ser invadida. ‘‘Estamos isolando a área para ninguém mais entrar’’, explica.
Albari RosaOganizaçãoAntonio Nunes da Silva, morador do Jardim Tarumã 1 e presidente da Associação dos Moradores do bairro: invasões organizadas e taxa mensal de R$ 2,5
Soares afirma que no prazo de quatro meses deve iniciar a relocação das famílias da área de manancial. Segundo ele, os moradores devem ser transferidos para terrenos que deverão ser desapropriados. ‘‘Há vários proprietários que não pagam imposto há mais de 15. Temos a intenção de desapropriar a área destas pessoas’’.
A Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) desconhece este projeto da prefeitura de Piraquara. Segundo Gil Polidoro, coordenador do Programa de Saneamento Ambiental da Região Metropilitana (Prosam), a Comec está concluindo a infra-estrutura do loteamento Âncora, próximo ao Corpo de Bombeiros, para assentamento de cerca de 200 famílias de Piraquara.
O ecologista José Álvaro Carneiro, da Liga Ambiental, diz não acreditar que a prefeitura está incentivando as invasões. ‘‘É difícil por a culpa em alguém neste caso’’. ‘‘A prefeitura sabe que tem forte relação de dependência da preservação dos mananciais’’.
Segundo o ambientalista, a região de Curitiba está sofrendo um processo acelerado de invasão. ‘‘A presença da Audi e Renault reforça o processo de ocupação de mananciais’’, destaca.

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