CAM ameaça interromper atendimento
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de janeiro de 1997
Edmara Michetti 
Warren NabucoEngavetadosA coordenadora da Mulher, Cleide Camargo, e a pilha de processos que aguardam por uma equipe maior de advogados
O Centro de Atendimento à Mulher (CAM), da Coordenadoria Especial da Mulher, corre o risco de fechar as portas para novos casos. Com um número reduzido de advogados e mais de 400 ações ajuizadas, a equipe não tem como suprir a demanda. Em 96 foram feitos 18.305 atendimentos, sendo 1.570 casos jurídicos.
Atualmente a Coordenadoria está trabalhando com dois advogados cedidos pelas secretarias de Fazenda e de Saúde. Da equipe de sete advogados que atuava até o ano passado na Coordenadoria, um era emprestado, o contrato de três já expirou, dois estão com os contratos vencendo no final de janeiro e em fevereiro e outro passou em concurso para juiz. Apesar de ter direito a contratar um advogado, a Coordenadoria não tem disponibilidade, já que todos os aprovados no último concurso, que expira em agosto, foram contratados.
Para dar continuidade ao trabalho, a coordenadora Cleide Camargo calcula a necessidade de oito advogados, que estão sendo solicitados à Prefeitura. O advogado da Coordenadoria, José Roberto Reale, estima que dois profissionais levarão em média dois anos para concluir as mais de 400 ações em atraso.
Centro atende
a denúncias
de violência
contra a mulher
Entre as ações de violência contra a mulher engavetadas no CAM, constam casos de violência moral, indução ao suicídio, ameaças de morte, cárcere privado, abandono material sem permitir que a mulher trabalhe, todo tipo de violência sexual e ainda violência social, como discriminação racial. O CAM atende ainda acordos de pensão alimentícia, reconhecimento de paternidade e outros que são resolvidos pelas assistentes sociais e advogados sem se transformarem em processos. O juiz só homologa a decisão do advogado.
A solução da deficiência de pessoal da Coordenadoria está, segundo o secretário de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, na Defensoria Pública. Ele espera até o final desta semana uma resposta ao pedido de revitalização do acordo entre Município e Defensoria, feito nos primeiros dias de trabalho da administração.
No acordo que vigorou até 96, o pagamento da equipe de advogados era dividido entre o Estado e o Município. Agora, o secretário propõe que os custos sejam bancados integralmente pelo Estado. A Prefeitura não tem dinheiro para nada, justifica. Foram pedidos 11 advogados. Caso não receba uma resposta positiva, Ferreira afirma que tentará resolver o problema pessoalmente, em Curitiba. A coordenadora da Mulher comenta: Nem pensamos na hipótese de o secretário não conseguir. Mas se isso acontecer, o jeito vai ser pararmos com o atendimento ao público para concluir os casos ajuizados.


