Calouros pintam creche e plantam árvores
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quinta-feira, 14 de abril de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O trote universitário é uma espécie "ritual de passagem" do estudante para o ingresso no ensino superior, uma tradição que visa integrar os veteranos com os calouros. No entanto, durante muitos anos havia a mentalidade de que essa tradição deveria ser permeada por atos de zombaria, violência e humilhação. Para mudar esse cenário, há tempos as universidades têm incentivado a prática do trote solidário, geralmente em benefício de alguma causa social.
Em Londrina, um dos primeiros trotes solidários foi introduzido por alunos de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que pintaram uma escola pública no início da década de 1990. Os estudantes do curso vêm mantendo a tradição e este ano elegeram a Creche Ana Proveller, no Jardim Paraíso (zona norte), para receber pintura das paredes e nos brinquedos do parque infantil.
A caloura Viviane Guariente, de 17 anos, gostou muito desse tipo de atividade. "Acho muito legal que a UEL tenha esse trote solidário. Arrumamos e pintamos os brinquedos do parquinho e é gratificante trabalhar com as crianças. A gente vê a alegria nelas", ressalta.
Para a pequena Naomi Melo Oliveira, de 3 anos, foi interessante ver toda essa movimentação na creche. Ela gostou de ver os brinquedos sendo pintados e de conhecer os estudantes. "Eles brincam de pega com a gente", destaca. A gerente administrativa da creche, Jackeline Pereira de Barros, agradeceu essa ajuda para a manutenção do espaço. "Não teríamos condições de arcar com as despesas dessa pintura. Espero que os estudantes continuem realizando esse trabalho todos os anos", disse.
As crianças também participaram das atividades. Elas foram responsáveis por fazer desenhos em folhas de papel que os estudantes reproduziram em uma escala maior nas paredes da creche. A professora de Artes Visuais Carmem Fabiana Betiol declarou que a ideia é manter ao máximo o traço das crianças para que elas se sintam pertencentes a esse lugar. "Em nenhum momento escolhemos um desenho por ele ser bonito. Reproduzimos eles da maneira como são, inclusive as hachuras", destaca.
BEM-ESTAR
No Lago Igapó 4 (zona oeste), a mobilização foi dos alunos de Zootecnia da UEL. Vinte e cinco calouros realizaram o plantio do mesmo número de mudas de árvores às margens do lago para iniciar um possível reflorestamento da mata ciliar em torno do lago. A representante do centro acadêmico de Zootecnia, Daniela Kaiser, contou que a atividade privilegiou espécies nativas da região, como aroeira pimenteira, açoita cavalo, farinha seca, ingá feijão, ipê roxo, mutambo e uvaia, para que não causassem qualquer tipo de desequilíbrio. Ela ressaltou que a atividade ajuda a integrar os estudantes e ensina como fazer uma plantação. "É o primeiro contato deles com o pessoal do 3º ano e do 4º anos."
Para a caloura Mirella Reis, de 18, a iniciativa foi bacana. "Não é só a integração dos calouros com os veteranos. É uma forma de contribuir com o bem-estar da população. Além disso, foi bem divertido. Eu estava com medo do trote, mas a recepção foi bem tranquila", declarou. "Sou de Sertanópolis (Região Metropolitana de Londrina), uma cidade pequena, movida a agricultura e por esse motivo tenho uma ligação forte com o campo. Agora vou ter uma árvore para chamar de minha. Vou acompanhar o desenvolvimento dela e regá-la sempre", prometeu.


