Mário CésarMãos à obraO prédio que irá abrigar o Centro deve estar concluído em julho: 35 menores serão atendidosOs 44 calouros do curso noturno de Matemática/Ciências da Computação da Unopar vão estar vendendo camisetas em prol do Centro de Assistência ao Drogado (CAD), a partir de sexta-feira. E, ao contrário dos trotes comuns, quando parte do lucro fica com os alunos para uma festa, desta vez todo o dinheiro arrecadado com o trabalho será revertido para a entidade. A expectativa do coordenador do curso, professor Fábio Cezar Martins, é que os alunos consigam vender pelo menos 300 camisetas, somando R$ 1.500,00 em favor do CAD.
O trote cultural é apenas uma das várias atividades que serão realizadas para tentar complementar a verba para a construção do Centro de Atendimento ao Drogado, que irá atender 35 crianças e adolescentes carentes com problemas com dependência de drogas. O CAD vai oferecer tratamento médico e pedagógico, além de desenvolver um trabalho em conjunto com outras entidades para profissionalização dos menores. De acordo com o cronograma de obras, o Centro deverá começar a funcionar a partir de julho.
A obra, composta de um hospital, salas para assistência e acompanhamento de atividades, terá cerca de mil metros quadrados de área construída e está orçada em R$ 300 mil. A Prefeitura doou o terreno, localizado na gleba Lindóia, e o Estado liberou R$ 220 mil. Um grupo de profissionais liberais se comprometeu e buscar junto à comunidade o que falta para a conclusão dos prédios, através de campanhas.
O presidente do CAD, Anibal Ferreira explica que os profissionais, dispostos a trabalhar como voluntários, formaram o grupo para dar caráter oficial e viabilizar a construção e manutenção do Centro. Mas a realização do projeto é resultado de um acordo ‘‘tripartite’’, entre Estado, município e comunidade.
‘‘É importante que a comunidade compreenda a importância deste Centro. Tanto para os menores que serão atendidos e seus familiares, quanto para a população em geral’’. Ferreira lembra que, de acordo com a Polícia Civil, a maior parte dos crimes praticados por menores na cidade tem como finalidade obter recursos para compra de drogas. ‘‘Oferecendo uma alternativa a esses menores, estaremos também ajudando a reduzir o índice de criminalidade.’’
Mário CésarFerreira, na obra: alternativa
‘‘O trote cultural é apenas uma amostra do trabalho que estaremos desenvolvendo junto à comunidade’’, conta Ferreira. As mesmas camisetas, com o emblema do CAD, vão estar à venda no Centro, que atualmente funciona junto à Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). Ferreira acrescenta que as empresas também poderão contribuir comprando as camisetas. ‘‘O empresário poderá utilizar a parte de trás da camiseta para colocar a propaganda da sua firma.’’
O CAD vai oferecer ainda a possibilidade de contribuição por prazos mais longos. ‘‘Quem quiser poderá contribuir mensalmente com o Centro. Quem decide o valor e a duração da contribuição é a própria pessoa. E o valor estipulado vem junto com a conta telefônica.’’ Ferreira diz que qualquer contribuição será fundamental para a implantação e manutenção do projeto.
O CAD está negociando com a Prefeitura para que o Município assuma a manutenção do Centro. Mas o acordo que a diretoria da entidade está propondo já pressupõe que, faltando recursos ao Município, o CAD supriria a defasagem através de campanhas. ‘‘Existem mais de 100 mil linhas telefônicas na cidade. Se cada um colaborar com R$ 1,00 por mês, teremos como manter o atendimento e até ampliar o número de beneficiados.’’
‘‘O trote nem começou e muitos alunos já estão pedindo mais camisetas’’, conta, animado, Fábio Martins. Para ele, o importante do ‘‘trote social’’ será a divulgação do trabalho e da importância do Centro. ‘‘Quem comprar a camiseta vai saber que está apoiando um trabalho sério e que pode trazer excelentes resultados para toda a comunidade.’’
Como a grande maioria dos calouros trabalha durante o dia, o trote não será realizado nas ruas da cidade, como de costume. Cada um terá de vender, no mínimo, cinco camisetas, informando e explicando ao comprador a importância do CAD e seus objetivos. A idéia do trote diferente foi do coordenador do curso, e vai ser aplicada pelos veteranos do 2º e do 3º ano de Matemática/Ciências da Computação.

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