Londrina – Estudantes do 1º ano do curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL) participam nesta semana de uma recepção diferenciada. Em vez de trotes violentos e atividades apenas recreativas, a integração entre calouros e veteranos é feita com um objetivo em comum: ajudar a ONG Projeto Sabão, fundada há 11 anos em Londrina.
A sede do projeto, na zona norte da cidade, ganhou nova pintura interna em algumas paredes. Os veteranos compraram tintas com recursos próprios e iniciaram também uma campanha para arrecadar dinheiro. A intenção é comprar equipamentos e materiais que possam ser doados à instituição.
O aluno Vítor Guariente, do 2º ano de Engenharia Civil, já conhecia os benefícios do projeto e sugeriu a escolha da ONG para a ação solidária. "A UEL trabalha o trote solidário desde 2008. No ano passado, conseguimos arrecadar R$ 12 mil e ajudamos outra instituição. Queremos continuar com esse trabalho. Neste ano também buscamos o patrocínio de empresas que possam ajudar a finalizar a construção da sede", destacou. As obras no barracão começaram no ano passado com a ajuda da comunidade.
O veterano Kassio Rafael da Silva ajudou a organizar a pintura feita pelos calouros. "Essa ação nossa humaniza também o curso de Engenharia Civil. É importante esse contato na prática para ir além das Ciências Exatas", explicou. O calouro Cleverson Santos gostou da proposta. "A gente não fica constrangido pelo trote. Todo mundo se ajuda e a gente contribui para a sociedade", destacou. "Eu não esperava participar de um trabalho como esse. É diferente de tudo o que a gente imagina para o começo das aulas. É bem bacana", comentou a estudante Natalia Mello.
A fundadora do Projeto Sabão, Iraci Andrade dos Santos, se surpreendeu com os jovens voluntários. "Isso deveria ser feito mais vezes com outras pessoas e outros grupos, principalmente com crianças. Quando elas se conscientizam, elas aprendem desde cedo a importância de se doar para um projeto, a importância de ajudar e de viver em comunidade", declarou.
Dona Iraci trabalhou por muitos anos como costureira e, ao se aposentar, passou a ensinar o ofício para a comunidade. O trabalho deu certo, mas outras necessidades surgiram como a higienização das roupas. O projeto se consolidou quando Iraci começou a fabricar sabão com o óleo de cozinha que seria descartado pelas famílias. Hoje, ela produz mais de 500 pedras de sabão por mês e ajuda, aproximadamente, 60 famílias com a distribuição de sabão, alimentos, roupas e calçados.
Com a construção do barracão, a comunidade também participa de oficinas de crochê, costura, pintura e informática. O projeto aceita doações de alimentos, roupas, calçados, móveis usados, materiais de construção e também a ajuda de voluntários. "A gente só não aceita dinheiro. Dinheiro eu não pego. As pessoas têm que pôr a mão na massa. Isso aí é um ensinamento para que elas vejam que não é só dinheiro que resolve tudo. Durante 11 anos a gente só manteve o projeto em pé com a ajuda de quem se doou por essas famílias", explicou.

Serviço
Quem quiser ajudar pode entrar em contato com representantes do Projeto Sabão pelo telefone (43) 3328-4134. Caso necessário, uma equipe da ONG pode ir até o local combinado para buscar os itens doados

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