Além do perigo de uma epidemia de dengue, o clima típico do verão, quente e chuvoso, traz o incômodo dos pernilongos. Em algumas regiões da cidade, como a do Vale San Fernando (Zona Sul), moradores reclamam que é possível ver nuvens do inseto, principalmente nos finais de tarde. A proximidade do Parque Arthur Thomas e a existência de vários terrenos vazios que se transformam em depósito de lixo agravam o problema.
  A administradora de empresas Bernadete Aparecida dos Santos Campana, que mora no Loteamento Pequena Londres, diz que a situação está insuportável, ‘‘tanto de dia quanto de noite’’. Segundo ela, nem repelente resolve mais. Ela acredita que só uma ação conjunta de vários órgãos municipais – como Saúde e Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), para coibir os depósitos irregulares de lixo – conseguiria amenizar o problema.
  Bernadete também reclama que fica ‘‘meio perdida’’ na hora de pedir providências. ‘‘A gente nunca sabe onde reclamar, e quando reclama, não adianta.’’ Ela diz que foi orientada a ligar no disque-dengue (0800-400 1893), onde recebeu a garantia de que um agente iria checar a situação do bairro. ‘‘Perguntei sobre o fumacê, e me disseram que tem que haver casos comprovados de dengue. Quanto ao lixo, ninguém se responsabiliza. Por exemplo, tem lei para punir os carroceiros que descarregam resíduos nos terrenos e fundos de vale, mas não tem quem fiscalize, então não adianta’’, argumenta.
  Segundo o diretor de operações da CMTU, Fábio Reali, a Companhia tem a responsabilidade de fiscalizar junto com a Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) e a própria população. ‘‘Para nós é impossível fiscalizar todas as áreas, principalmente à noite e nos finais de semana. Por isso a população é o melhor fiscal. Londrina tem muitos córregos, praças, que viram depósito de entulhos e, o que é ainda mais grave para a proliferação de insetos, de lixo orgânico.’’
  Já o diretor de Saúde Ambiental da Secretaria Municipal da Saúde, Maurício Barros, esclarece que a prioridade das equipes de combate a endemias, neste momento, é a dengue. Segundo ele, porém, é possível denunciar o problema para o Setor de Saneamento da Secretaria, que pode verificar a sua origem.
  Quanto aos questionamentos sobre o uso do fumacê, Barros informa que existe um requisito técnico do Ministério da Saúde que só permite a sua adoção para o combate à dengue e em determinados momentos, entre eles quando há fortes indícios de surto ou epidemia, como grande número de notificações e confirmações. O fumacê é realizado com inseticida, que polui o ar e os córregos.

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