Calor pode intensificar alergias
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Há um ano e meio, o filho da costureira Janice Xavier, 38 anos, não come mais um de seus alimentos preferidos: camarão. Habituado a comer frutos do mar desde pequeno, Gregório, que hoje tem 12 anos, nunca tinha tido problemas, até que um dia, depois de ter saboreado o prato preferido, sentiu um forte mal estar acompanhado de uma intensa falta de ar. Preocupada com a reação do filho, Janice buscou informações e agora o filho está proibido de comer camarão.
''Tenho uma amiga que mora em outra cidade que tem alergia à camarão. Ela me falou sobre as reações. Procurei informações da internet e percebi que podia ser grave. Foi acontecendo gradativamente. Cada vez que ele comia ficava um pouquinho pior. Na última vez foi feio. Ele ficou realmente mal, com muita falta de ar. Depois disso, ele mesmo ficou com medo e percebeu que não é bom comer mais camarão'', conta Janice.
Consultórios de alergia são constantemente procurados por pessoas que passam pela mesma situação de Gregório. Com a chegada do calor também é comum aparecerem pessoas com problemas de alergia cutânea (pele). O médico alergista Luiz Carlos Bertoni explica que a hereditariedade pode ser uma das principais razões para algumas pessoas terem alergias e outras não. Segundo ele, filhos de pais alérgicos tem 75% de chance de ter alergia a algum alimento. Já em famílias onde não há alérgicos, a probabilidade vai de 10 a 15%. ''O calor tem a influência de piorar as alergias cutâneas, mas não é responsável pelo aumento da incidencia da alergia alimentar. Essas alergias tem um caráter mais genético'', comenta.
A filha mais nova de Janice, Olívia, de 7 anos, também manifesta reações alérgicas que ocorrem quando consome alimentos ou bebidas com corantes. ''Normalmente acontece na região da boca, onde o alimento toca a pele. Fica avermelhado e só volta ao normal depois de horas'', comenta a mãe, que também cuida da alimentação da menina.
''A alergia alimentar frequentemente ocorre nas crianças, mas pode aparecer em qualquer idade e com alimentos que o paciente já comeu anteriormente sem problemas. Podem ocorrer imediatamente após a ingestão de um alimento, o que é comum na alergia por camarão'', diz o médico.
A maioria das reações alérgicas a alimentos geralmente está relacionada a reações tardias, portanto é difícil correlacioná-las com o alimento que as provoca. Bertoni salienta que ocorrem sintomas no aparelho digestivo como náusea, vômito, diarréia, gases e dores abdominais. Nessas ocasiões os médicos procurados são o pediatra ou o gastroenterologista. ''Uma pessoa alérgica a um alimento leva seu sistema imune a produzir aumento do anticorpo específico contra esse alimento. Quando os alérgenos do alimento reagem com o anticorpo, várias substâncias químicas são liberadas (entre elas a histamina) e provocam a reação alérgica. Tais elementos provocam aumento dos vasos sanguíneos periféricos, e assim a musculatura lisa se contrai e afeta áreas da pele, que se tornam vermelhas e coçam, originando a urticária'', explica o médico.
Os alimentos que mais provocam alergias são ovos de galinha, leite de vaca, trigo, soja, peixes, camarão e marisco, porém, todos os alimentos têm potencial para sensibilizar e provocar alergia. A nutricionista Débora Sorgi salienta que profissionais como ela exercem um papel importante em auxiliar os indivíduos na alimentação quando houver a necessidade de exclusão de algum determinado grupo de alimentos. ''As alergias tardias exigem um acompanhamento criterioso do hábito alimentar. Recomendo a prática de uma alimentação saudável, sem exageros, além da importância de estar atento aos sinais e sintomas'', finaliza.


