Preços atraentes, rapidez, a chance de comer vendo o movimento das ruas e praças ou mesmo o bate-papo com o lancheiro. As razões são diversas mas o fato é que o hábito de comer na rua está arraigado na população, que prefere enfrentar o risco de uma contaminação à mudar a prática. Com a chegada do calor, é preciso ter cuidado na hora de escolher o carrinho já que nem todos os lancheiros seguem à risca o que pede a legislação.
Em Londrina, os lancheiros são obrigados, por lei, a fazer um curso de manipulação de alimentos antes de conseguirem a licença para trabalhar. O curso ensina, entre outras coisas, a usar luvas, prender o cabelo, como acondicionar os alimentos. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) também tentou padronizar os carrinhos como medida preventiva de higiene.
Entretanto, basta passar pelas ruas para ver que nem todo mundo cumpre as orientações à risca. É o caso de uma adolescente de 16 anos que há três meses trabalha em um carrinho na rua Sergipe. Ela admite que não fez o curso de manipulação e aprendeu na prática, com o dono do empreendimento. Se tivesse que passar por uma prova, os cabelos longos e mal presos e os brincos vistosos teriam lhe tirado pontos. ''Gostaria de fazer um curso para aprender mais'', reconhece.
O que muitos lancheiros não percebem é que investir em capacitação pode trazer lucros. Todos os consumidores entrevistados pela reportagem disseram estar mais atentos 'a higiene do local antes de experimentar um lanche.''Venho sempre em um mesmo lugar, onde conheço o pessoal e tem higiene, porque não tem jeito, eu gosto de lanche'', diz o operador de impressão Altair da Costa, 32 anos. O copeiro Israel Gomes da Silva, 45 anos, confirma:''Eu até como em carrinho, mas só onde eu conheço. Tem lugar que não dá muita segurança, a gente vê as carnes aí expostas à poluição e à poeira''.
Segundo os sanitaristas, a exposição e a dificuldade de armazenagem dos alimentos é o principal risco da comida de carrinheiros. ''Não há como negar que eles ficam mais expostos'', diz o chefe do órgão em Londrina, Marcelo Viana de Castro.
Como orientação, Viana sugere que o consumidor fique atento à higiene do carrinheiro e ao local onde ele guarda os alimentos. ''Eles têm que colocar em uma caixa de isopor em boas condições e, se necessário, trocar o gelo; as coisas não podem ficar na água'', afirma.
Para fugir do risco, Ana da Silva Prado, 53 anos, carrinheira há 27, prefere comprar os produtos em pequenas quantidades diversas vezes ao dia. ''A gente sabe que com o calor tem que redobrar os cuidados'', afirma. Ela garante que segue todas as orientações do curso, com exceção de uma que ninguém mais usa: a máscara. ''Aquilo eu discordo, quem vê pensa que a gente está doente'', afirma.

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