A mistura de calor, recesso escolar e feriado prolongado levou muitos moradores da Zona Norte de Londrina ao Lago Cabrinha. Depois de pouco mais de 10 dias de processo de enchimento, ontem a água chegou à barragem. Apesar das placas alertando os usuários da qualidade imprópria da água, a cascata formada na barragem já virou uma das principais atrações do complexo.
O poceiro José da Silva, 50 anos, estava indo para casa, no Patrimônio Heimtal, quando decidiu dar uma voltinha no lago. ''Como hoje (ontem) estou de folga vim aproveitar um pouquinho'', afirma.
A dona-de-casa Ivete Oliveira, 35 anos, também aproveitou o dia ameno para levar a filha para passear no parque. Com o bebê no colo, ela elogiou o espaço mas fez um alerta. ''Tá muito bonito mas dá medo dessas crianças aí nessa água'', advertiu.
Indiferentes às placas, ao lixo que boiava nas margens do lago e à cor escura da água, suja pela enxurrada de anteontem, dezenas de crianças e adultos aproveitavam para se banhar. Ontem, a Polícia Militar (PM) ainda tentou retirar a população da água. ''Não adianta, a gente vem aqui todos os dias, eles saem mas daqui a pouco estão todos lá de novo'', diz um soldado, que não quis se identificar.
Com o braço enfaixado, Nilson Botelho Júnior, 13 anos, não pode entrar na água ontem. Mas ele admite que já nadou no lago mesmo sabendo dos perigos. ''O calor é maior'', argumenta. Segundo ele, a PM já chegou a retirar, em um único dia, 18 pessoas da água. ''Eles deram palestra para o pessoal não entrar na água'', conta.
A dona de casa Cristiane Alves, 27 anos, também sabe dos riscos mas acabou cedendo aos pedidos da filha de 3 anos. ''Essa é a primeira vez que deixo ela entrar, sabe como é que é, ela vê as outras crianças e tem vontade'', comenta.
O lago Cabrinha é parte do complexo de lagos da Zona Norte. A prefeitura aguarda liberação do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para iniciar a construção do resto do complexo, no Ribeirão Lindóia. O Cabrinha tem 127 mil m2 de área e custou cerca de R$ 780 mil.

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