Curitiba - O inverno fraco e seco registrado este ano em todo Paraná e a antecipação das temperaturas de primavera para meses tradicionalmente frios, como julho e agosto, não trouxeram somente a estiagem para o Estado. Outra consequência dessa alteração de clima foi a chegada também antecipada do crescimento de casos de varicela, que normalmente é sentido a partir do final do mês de agosto.
Registros da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) mostram que este ano em várias regiões do Estado os casos de varicela, doença também conhecida como catapora, começaram a aumentar a partir do final de julho. ''Muitas cidades pequenas já somam mais de cem casos este ano'', constata Nilce Haida, responsável pela Divisão de Doenças Imunopreveníveis da Sesa.
Essa antecipação da doença, segundo ela, pôde ser verificada em oito regionais de Saúde do Estado: Apucarana e Telêmaco Borba, com mais de 100 casos; Londrina e Guarapuava, que já ultrapassaram os 200 registros; Ponta Grossa e Pato Branco, com mais de 300 casos; Cascavel, acima de 400; e Curitiba, com 3.015 notificações em 2006. Em todo Estado, até o momento foram registrados 5.511 casos de catapora este ano. Em 2005, houve 13.603 casos notificados.
Na Capital, de acordo com a diretora de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Curitiba, Karin Luhn, não houve aumento de casos em relação a 2005. ''A varicela acontece o ano todo, mas há uma concentração de casos na primavera. O aumento começa no fim do inverno e tem um pico de casos na primavera, quando chega a aumentar até dez vezes. Este ano os casos já estão aumentando, mas é até um pouco menor do que no ano passado'', diz.
Karin explica que a varicela é uma doença sazonal. Em todo mundo, os casos aumentam no final de inverno com a chegada do calor. Aqui, o menor número de casos acontece historicamente em março. Este ano, Curitiba teve 28 registros em uma semana de março. Depois, geralmente, o número vai aumentando até chegar a cerca de 100/semana no fim de maio, 150/semana em julho, 250/semana em agosto e cerca de 400/semana em outubro, quando há o maior pico da doença.
No ano passado, o maior número de registros em Curitiba foi de 475 casos na primeira semana de outubro. Em 2003, houve outro pico, com 577 notificações também em uma semana de outubro. Este ano, o maior número de casos até agora aconteceu na semana de 7 de agosto a 2 de setembro, com 258 notificações, ou seja, quase dez vezes o número registrado em maio. ''E a tendência é continuar aumentando'', diz Karin.
A varicela é uma doença benigna, ou seja, muito raramente ela apresenta complicações. Ainda não há vacina disponível pelo serviço de saúde pública, e ela custa cerca de R$ 80 em clínicas particulares. O Ministério da Saúde estuda a introdução de novas vacinas no calendário de imunizações gratuitas, entre elas a da varicela. Por enquanto, a vacina só é aplicada gratuitamente no caso de gestantes, recém-nascidos e indivíduos com defesas baixas que tenham tido contato com pessoas doentes.

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