A primavera ainda nem chegou, mas os últimos dias têm sido tão quentes que a sensação é de estar em pleno verão. E para enfrentar o calor antecipado, cada um se refresca como pode. Ou não pode. Nadar no Lago Igapó, por exemplo, é proibido, mas há quem não resista a toda aquela abundância de água e acabe mergulhando de cabeça.
No final do ano passado, impressionadas com as 13 mortes por afogamento registradas ao longo de 2003, autoridades se reuniram para avaliar que medidas poderiam ser tomadas para solucionar o problema. O major do Corpo de Bombeiros Dario Natan Bezerra participou dos grupos de discussão que reuniram ainda representantes do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Vigilância Sanitária municipal, Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Polícia Militar e prefeitura.
De acordo com o major, cogitou-se a possibilidade de uma área de lazer no estilo de um balneário próximo à barragem do Igapó I. ''As análises mostraram que a água do Igapó I é satisfatória para banhos, o que não acontece com o Igapó II, III e IV. Mas a situação do fundo do lago não tinha condições de salubridade, já que quem pisasse no solo ficaria sujeito às bactérias'', lembra. ''Entendemos então que não havia condição de balneabilidade no local'', completa Natan.
''A Prefeitura também entendeu que não haveriam recursos financeiros para fazer o assoreamento do fundo do lago e colocar sinalizações. Além disso, um balneário demandaria mais condições de segurança'', explica o major.
Com a possibilidade do balneário descartada, o Corpo de Bombeiros deve repetir a operação do final do ano passado, quando iniciou o programa de repressão a quem tentasse entrar no lago. ''Isso já vem acontecendo nos finais de semana, quando o movimento é maior, com a guarnição no local'', explica o major. Durante os dias de semana, também há plantão, mas os bombeiros ficam no quartel do Igapó, localizado no Lago II.
De acordo com Natan, ''já existe uma necessidade de patrulhar os dois lagos. Como a embarcação fica no Igapó II, seria preciso construir uma passagem, pela água, entre um lago e outro'', explica. ''Hoje um deslocamento entre o quartel e o Igapó I pode levar até oito minutos. É muito tempo. Se fôssemos pela água seria mais rápido e teríamos mais condições de salvamento'', garante.
Este ano, já foram registradas duas mortes por afogamento no lago. A partir de outubro com a promessa de altas temperaturas o Corpo de Bombeiros irá intensificar o patrulhamento impedindo mergulhos dos mais afoitos por um banho refrescante. ''No programa de repressão, a CMTU colocou as placas que proíbem os mergulhos, nós fazemos o patrulhamento e a Polícia Militar intervém. Mas as sanções não são tão graves. Os menores são encaminhados ao Conselho Tutelar e os adultos para a delegacia'', avisa.

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