Calendário marca o dia de ajuda ao próximo
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sexta-feira, 18 de julho de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Instituído pelo presidente Humberto Castelo Branco em 1966, o Dia da Caridade, comemorado hoje, é uma das datas marcadas no calendário que passam despercebidas pela esmagadora maioria da população brasileira. Em Londrina, não falta quem necessita de ajuda segundo levantamento da Secretaria Municipal de Assistência Social realizado no ano passado, o município tem 24 mil famílias com renda per capita até meio salário mínimo.
Nos últimos anos, diversos segmentos da população brasileira têm aperfeiçoado seu entendimento sobre o que é realmente caridade. Doar esmolas não é mais o suficiente, e atos eventuais são progressivamente substituídos por projetos engajados de efetiva ação social. ''Muitas vezes o que a pessoa precisa não é apenas de uma cesta básica, mas de alguém que a ouça'', aponta Lenir Cândido de Assis, gerente-administrativa do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), de Londrina.
''Oferecer tratamento de alcoolismo e drogadição é uma ajuda. Ensinar música às crianças da periferia, o que altera sua visão de mundo, é uma ajuda. A população já percebe que dar esmolas não resolve. Precisamos de comprometimento de forma integral, em trabalhos contínuos'', explica ela. O Provopar atende mensalmente cerca de 3.500 famílias carentes londrinenses. Além de doar alimentos e roupas, a instituição acompanha o dia a dia dos atendidos.
Fabiana Vasconcellos, coordenadora da Cáritas Arquidiocesana de Londrina, braço de atuação social da Igreja Católica, afirma que a caridade imediatista, como desencargo de consciência de quem a pratica, não contribui em nada para a auto-estima do beneficiado. ''É preciso dar chances para que o excluído seja o protagonista de sua promoção social, ir além do assistencialismo puro e simples'', argumenta.
Joed Lamonica Crespo, presidente do Conselho de Pastores de Londrina, faz uma espécie de auto-crítica com um exemplo: ele cita que a zona norte da cidade tem 200 igrejas evangélicas. Todas prestam alguma ajuda aos moradores de suas cercanias, mas apenas duas delas desenvolvem projetos de ação social. ''Não podemos negar a ajuda emergencial, como tirar uma pessoa da rua. Mas a caridade efetiva exige mais. A pessoa atendida tem que ser encaminhada para um emprego e ter meios de se sustentar sozinha'', diz ele.
O empresário Francisco Ontivero, presidente da Comunidade Espírita Cristã, foi um dos responsáveis pela criação da Escola-Oficina Pestaloze, na zona sul. Atualmente, 340 jovens entre 14 e 16 anos realizam cursos profissionalizantes no local oficinas de padaria e confeitaria, para cabeleireiro e de costura semi-industrial. ''Quem tem recursos tem que assumir responsabilidades. A periferia de Londrina é muito necessitada. Só o governo não dá conta. Essa é a verdadeira caridade'', afirma Ontivero.


