Cálculos renais atingem 10% da população
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domingo, 02 de dezembro de 2001
Célia Guerra<Br>De Londrina 
A vida sedentária, o baixo consumo de água e a falta de uma alimentação equilibrada associadas a fatores hereditários estão entre as principais causas de cálculos renais, a conhecida pedra nos rins. A incidência da doença, segundo o urologista Lauro Brandina, é alta e nos últimos anos tem atingindo até 10% da população.
O cálculo, explica Brandina, é provocado pela concentração de cristais nos rins e vias de drenagem da urina (uretér e bexiga) provocados por fatores externos e internos do organismo. Essas pedras, de acordo com o urologista, em 80% dos casos são formadas por cristais de cálcio eliminados em excesso por uma deficiência de agentes inibidores do próprio organismo, ou por defeito nos rins. Brandina citou ainda os cálculos renais que se formam pela concentração de ácido úrico na urina, por infecções urinárias ou por distúrbios no metabolismo dos rins e malformações congênitas.
Exitem vários sintomas da doença, como alterações no aspecto da urina, a presença de sangue, febre (nos casos de infecção urinária). A cólica renal, entretanto, é a forma mais comum de manifestação e ocorre quando a pedra, independente do tamanho, provoca alguma obstrução nos canais urinários. Brandina explica que ela se inicia subtamente provocando dores de grande intensidade na região lombar que, muitas se espalha pelo abdomê e virilha. A cólica pode ainda resultar em náuseas, diarréias e dor ao urinar.
A literatura médica, comenta o médico, diz que a doença é mais comum na raça branca e ocorre três vezes mais nos homens do que nas mulheres. Mas nem sempre isso pode ser levado como regra, pois tem aumentado o número de mulheres com os sintomas da doença. A idade mais comum é entre 20 e 40 anos, mas há casos em que as pedras nos rins atingem crianças e até recém-nascidos.
Existem várias formas de tratamento da doença que depende também do tipo de cálculo que a pessoa possui. O combate à cólica é feito com o uso de analgésicos e antiespasmódicos seguindo a orientação do especialista. ''O remédio do vizinho nem sempre é a melhor recomendação'', alerta. As pedras em mais de 70% dos casos são eliminadas espontaneamente, daí a necessidade de líquidos. Chás são bem vindos, como o conhecido ''quebra-pedra'' que tem efeito diurético, ou seja, aumenta a quantidade de urina eliminada pelo organismo.
Quando o cálculo não é expelido e provoca um infecção ou obstrução ele precisa ser removido. A litotrípcia extra corpórea, ou a emissão de ondas de choque (muito confundidas com o laser) é o procedimento utilizado em 80% desses casos. O precedimento é feito em ambulatório e não depende de anestesias. Outro procedimento é o uso da uma litotrípcia direta ou cirurgia percutânea, feita em 15% das situações de remoção de pedras. Pelo procedimento o médico faz um pequeno orifício na pele e introduz-se um aparelho pode ser o laser que destrói a pedra quando entra em contato com ela. A cirurgia exige anestesia geral.
O último recurso, utilizado quando a pedra é muito grande, é a tradicional cirurgia aberta. Atualmente esse procedimento pode ser feito com o auxílio de câmeras, a videolaparoscopia. O método é menos invasivo e traumático.
O corpo, destaca Lauro Brandina, dá muitos sinais de alerta que, se entendidos, podem evitar o problema. A dica principal é estar atento à cor da urina. Quando ela está muito amarela é sinal de que está muito concentrada e sujeita ao acúmulo de cristais. Por isso é preciso muita água, especialmente em dias quentes e durante a prática de exercícios físicos, quando a perda de líquidos pelo organismo é maior.


