'Calças-curtas' reocupam as delegacias
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de março de 1999
James Alberti 
Os assistentes de segurança, chamados de delegados calças-curtas, estão de volta às delegacias do Paraná, ao contrário do que pretendia o delegado-geral, Newton Tadeu Rocha. Ao assumir o cargo, Rocha disse, em entrevista à Folha, que a figura do assistente estava extinta. Desde o começo desde ano, porém, a secretária de Segurança Pública vem recontratando policiais civis e militares para ocupar a função de delegado, pricipalmente em cidades de pequeno porte. Dos cerca de 200 calças-curtas que havia em 1998, mais de 100 já foram recontratados, a maioria por indicação política.
Newton Rocha, que recebeu apoio do presidente da Assembléia Legislativa, Anibal Khury, na disputa pelo cargo, disse que ainda não sabe quantos assistentes serão recontratados. Segundo ele, a Secretaria de Segurança está fazendo um levantamento de quais são as cidades que precisam do assistente. Se pudéssemos e tivéssemos policiais para todas as comarcas, os serviços seriam melhores, disse Rocha, admitindo que a formação dos calças-curtas é insuficiente.
Para melhorar a qualidade dos serviços, segundo Rocha, os assistentes recontratados devem passar por um curso na Escola de Polícia. Mesmo assim, serão monitorados nas investigações por delegados de carreira das Delegacias regionais e sub-regionais.
A recontratação, no entanto, divide a polícia (leia texto nesta página). As associações ligadas aos delegados não aceitam a volta dos calças-curtas e entraram na justiça para tentar impedir o retorno. A comunidade não pode pagar por um problema em nível funcional, disse Rocha, referindo-se à falta de delegados. O retorno dos calças-curtas é, segundo ele, o único mecanismo viável e adequado, desde que monitorado, para não deixar a comunidade sem atendimento.
Outra solução seria a instituição de concurso público para delegados, mas isso não tem data prevista, conforme Rocha. O delegado-geral afirmou que há um concurso em fase de conclusão, mas ele não engloba delegados - é apenas para investigadores e escrivães. De acordo com Rocha, no Estado existem 3.400 policiais, cerca de 2.600 a menos do que já chegou a existir.


