Calçadas quebradas são um perigo para idosos
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segunda-feira, 28 de julho de 2003
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A aposentada Theresinha Silva Odebrecht não se arrisca mais a sair de casa à noite. O que a amedronta não é tanto a violência de Londrina, que, só este ano, já causou mais de 130 mortes. Para ela, hoje o maior inimigo se encontra nem um pouco escondido na má conservação das calçadas, problema que já lhe causou até uma fratura no fêmur e que tem tirado a segurança de milhares de outros idosos e portadores de deficiência do município.
A falta de zelo dessas vias (que, apesar de públicas, são de responsabilidade do proprietário do terreno) foi a premissa para uma reunião ontem na Câmara de Vereadores com representantes da casa, da prefeitura e da sociedade civil na tentativa de se estabelecerem futuras medidas, já que o bom estado das calçadas é determinado por lei tanto no Código de Posturas quanto no Plano Diretor de Londrina.
Segundo a diretora da Secretaria Municipal do Idoso, Genilda Pozzetti Stábile, a iniciativa foi tomada em parceria com a Escola de Educação de Trânsito depois que um levantamento feito com quase mil idosos apontou entre as principais reclamações a falta desse tipo de pavimentação (especialmente na periferia), bem como a existência de obstáculos e buracos. ''Desde o começo do ano, o mau calçamento já causou muitos acidentes com idosos, principalmente atropelamentos'', alertou.
Para a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, Martinha Clarete Dutra, além do cumprimento à lei, falta sensibilidade no trato daqueles que mais necessitam de uma calçada bem conservada. ''Quando não são lixeiras colocadas no meio do caminho, ou ciclistas que passam derrubando o deficiente visual, são os buracos e as raízes expostas das árvores que se encarregam da tarefa'', enumerou.
De acordo com a diretora de operações e transporte da CMTU, Rosimeiri Suzuki Lima, muitos proprietários simplesmente desconhecem a responsabilidade pela manutenção do calçamento. ''Há quem pense que isso é função da prefeitura'', comentou. Além disso, ela alerta, outro problema é com o tipo de material usado, que deve ser antiderrapante e permeável, que é padrão. Já as raízes de árvores que estouram o concreto, conforme o secretário de Meio Ambiente, Dirceu Fumagalli, poderiam ser evitadas, em certos casos, se alguns cuidados fossem adotados. ''Às vezes a pessoa coloca cimento até o pé da planta. Isso a deixa sem respiração e faz com que estoure a calçada em busca de ar'', disse.
No que depender da Secretaria Municipal de Obras, o mau estado das calçadas deve ser resolvido atacando aquilo que mais dói ao seu dono: o bolso. ''Daremos um tempo, ainda não definido, para que elas sejam recuperadas. Se isso não for feito, vamos autuar de forma semelhante à CMTU em relação à limpeza de terrenos, multando'', comparou o coordenador técnico Joaquim Wargha. Negativa para alguns, a notícia agradou a aposentada Maria Verdalina Paulino, que há poucos dias torceu o joelho em um buraco de calçada. ''Se só eu reclamar, não adianta nada'', desabafou.


