Calçadas mal conservadas são grandes obstáculos
Além de não poder entrar em determinados locais da cidade pela falta de rampas, o deficiente físico londrinense geralmente enfrenta outro obstáculo para viver o pleno exercício dos direitos individuais e sociais, como diz a lei: as calçadas da cidade. Em praticamente todas as ruas, há trechos que exigem uma habilidade acima do normal por parte dos usuários de cadeiras de rodas e até muletas.
João José de Figueiredo Filho, paraplégico, enumera uma série de dificuldades que se depara diariamente nas calçadas e ruas: raízes de árvores que quebram o pavimento; buracos; paralelepípedos; asfaltos que não chegam até o meio-fio, deixando um degrau praticamente intransponível; pequenos degraus deixados por pedreiros desavisados. Para nós, pequenos buracos são como se estivéssemos dirigindo em uma estrada toda irregular, compara, enquanto controla com cuidado sua cadeira de rodas motorizada.
Ele sabe o que um pequeno descuido pode causar. Há pouco tempo, a cadeira perdeu o equilíbrio e caiu num desnível causado por uma boca-de-lobo. Depois disso, ele ficou mais cuidadoso e quase sempre acaba desistindo de andar pela calçada, desafiando o perigo ao trafegar pelo asfalto. Outro dia foi advertido por um policial, que acabou concordando com a falta de opção, diante das calçadas mal conservadas.
A mulher de Figueiredo, Ana Luceni Cavallin, lembra que locais pavimentados com pedras tipo petit pavet, como o Calçadão, também podem se tornar um problema. Nos locais em que o calçamento é bem feito a cadeira vai bem, mas onde as pedras não não assentadas de maneira regular, fica difícil. (S. L.)





