O carteiro da Empresa Brasileira de Correios em Londrina, César Luchiari Baraldi Júnior, 26 anos, perdeu a conta de quantas vezes teve que optar entre olhar para o chão ou para a correspondência que deveria entregar no próximo endereço. Recentemente, em uma de suas andanças rotineiras pelo centro da cidade, sofreu uma torsão e perdeu dois dias de trabalho. ''Tive que ficar sem trabalhar por causa de uma calçada sem manutenção'', criticou.
Apesar da gravidade da situação, Baraldi não consta no relatório estatístico do Sistema de Atendimento a Traumas e Emergências (Siate) deste ano. De janeiro até ontem foram feitos 474 atendimentos de ocorrências conhecidas como quedas do mesmo nível. ''Não há como afirmar com exatidão que as causas das quedas sejam as calçadas irregulares'', disse o cabo Marcos Jerônimo, responsável pelo setor de estatística do Siate.
A servidora pública Maria Carmem Kienen, 54 anos, chegou a desmaiar de dor quando caiu em um buraco na calçada da Rua Pernambuco, no início do ano. ''Torci os dois pés e não deu para segurar a dor'', lembra. Na hora, Maria teve uma queda súbita de pressão e chegou a desmaiar. A filha Amanda Kienen, 16, foi quem a socorreu. Os familiares dela ficaram tão indignados que, na época, passaram a telefonar para a prefeitura pedindo providências. ''O buraco só foi fechado dois meses depois'', revelou Maria Carmem.
No Hospital Universitário (HU) não há registro específico sobre entorses causados por calçadas irregulares. Porém, de maneira geral, foram atendidos no HU, de janeiro a julho deste ano, 153 casos de traumas ortopédicos.
Calçado baixo é a sugestão que a secretária Sílvia Cristina Moro, 22 anos, dá a quem caminha com frequência pelas ruas do Centro. ''As calçadas estão horríveis para passar'', afirmou ela, que todos os dias faz o trajeto quatro vezes pela Rua Mato Grosso. Na esquina com a Rua Jorge Velho, Sílvia diminui o passo, tamanha é a quantidade de rachaduras e desníveis ao longo da calçada em frente a um terreno baldio.
O porteiro Anésio Moreira, 36 anos, disse que há mais de quatro anos, exatamente no 13 de janeiro de 1998, protocolou na Secretaria de Obras um pedido para aumentar a calçada da Praça Antônio Gaion, no Conjunto Habitacional do Café. Depois de dois anos, segundo Moreira, teve a resposta porque foi até a prefeitura. ''Eles disseram que não poderiam fazer a obra no ano passado. Então, desisti'', contou.
Anésio disse que não aceita até hoje o fato de um funcionário da prefeitura ter ido até a praça, medido a calçada e, depois de tudo, o município não ter realizado a obra. ''Me senti enganado'', finalizou.
O coordenador técnico da Secretaria de Obras de Londrina, Joaquim Vargas, afirmou que tem havido poucas reclamações na prefeitura sobre depressões e imperfeições nas calçadas. Conforme Vargas, a responsabilidade pela manutenção das calçadas é do proprietário do imóvel onde elas estão localizadas. As notificações aos proprietários de imóveis para que providenciem a restauração das calçadas com problemas ficam em média entre 15 e 20 por mês.

mockup