Calçadas dificultam vida de pedestres
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segunda-feira, 31 de agosto de 1998
Dimitri do Valle 
Elas não seguem um padrão, são perigosas ao ponto de provocar torções de tornozelo ou fraturas e estão longe de atender aos anseios dos deficientes físicos em Curitiba. As calçadas deixaram, em parte, de executar o papel de servir o pedestre e se transformaram em verdadeiras barreiras arquitetônicas.
Albari RosaCaçambas para depósito de entulhos atrapalham o trânsito dos pedestresQualquer descuido, por exemplo, na calçada da rua Comendador Macedo, no Centro, pode levar alguém ao chão. Ali perto, o desnivelamento na entrada dos fundos do ginásio de esportes do Círculo Militar já provocou a abertura de buracos e ondulações. O pedestre que passa por ali é obrigado a desviar das aberturas.
Um dia de serviço e a Prefeitura resolveria esse problema, opina a dona de casa Alorete Stoco, 41 anos. Ela sugeriu que o setor de fiscalização municipal mapeasse as calçadas mais problemáticas da cidade.
Na rua Capitão Virgínio de Oliveira Mello, no bairro Mercês, outro flagrante de descaso com os pedestres. A calçada simplesmente desapareceu e em seu lugar apareceu uma montanha de brita. Duplo problema para o aposentado Carlos Pereira de Andrade, 68 anos. Até nem saí de carro para andar um pouco, disse Andrade, que foi obrigado a invadir a rua e andar pela contra-mão, correndo o risco de ser atropelado. Há dois anos, a tubulação de esgoto rompeu em frente a sua casa e arrebentou a calçada que espera por reparos municipais.
Albari RosaO office-boy Jackson Santos: todos os dias, atraso por causa de caçambaCalçada também parece ser sinônimo de depósito. Em pleno centro de Curitiba, caçambas que armazenam entulhos dividem um espaço que de direito é do pedestre. A prova está na movimentada esquina da rua Cândido de Leão com a alameda Dr. Muricy. O office-boy Jackson May Santos, 16 anos, que passa todo dia pelo local, se queixa que a caçamba acaba servindo de obstáculo e atrasa o trabalho de quem precisa apressar o passo quando o trabalho chama.
Para os cerca de 75 mil deficientes físicos de Curitiba que se locomovem em cadeiras de rodas (segundo estimativa da Associação Paranaense de Reabilitação), a situação á ainda pior. O presidente da entidade, Cadri Massuda, avalia que a sociedade ainda está num processo de adaptação das melhorias que precisam ser feitas nas calçadas para auxiliar os deficientes.
O nosso povo está num processo de aprendizado desse tipo de cidadania, comentou Massuda. Ele diz que os rebaixamentos das calçadas deveriam existir em todas as quadras. Uma rápida volta pelo centro dá a dimensão que a regra não é cumprida numa cidade considerada modelo como a capital paranaense.


