Calçadão vira centro de artesanato aos domingos
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domingo, 29 de agosto de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A poda de uma jabuticabeira fez a ex-bancária Mari Cristine Escudeler, 49 anos, descobrir seu talento para produzir artesanato ornamental. Ao mesmo tempo, Renato Ignan, 50, viu que a banana verde podia render dinheiro enquanto morava no Vale do Ribeira, em São Paulo, região forte no cultivo da fruta. Cada um desses londrinenses resolveu apostar em sua idéia e o resultado pode ser visto no Calçadão de Londrina, sempre aos domingos.
Esse é o retrato da chamada Feira do Feito à Mão, que desde junho ocupa três quarteirões do coração da cidade, entre a Rua Hugo Cabral e a Avenida São Paulo. A exposição é um mosaico de idéias, onde cada um busca um diferencial para atrair o público, em meio a uma concorrência cada vez mais acirrada. Ontem, cerca de 25 novos artesãos passaram a integrar a feira, de acordo com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). O número de expositores autorizados já chega a 250.
Bem longe das brigas com fiscais que parecem caracterizar o comércio no Calçadão vide a polêmica da abertura de lojas nos fins de semana, as transferências constantes dos hippies e o embargo aos camelôs os expositores têm a benção da CMTU para vender seus produtos, sem nenhuma taxa, tendo apenas que levar a própria barraca. As vantagens têm estimulado a estréia de artesãos de primeira viagem, como Mari Cristine, que teve ontem sua primeira participação em feiras de artesanato.
Há uns 5 meses, visitando a feira, tive a idéia de me cadastrar na CMTU para conseguir um espaço aqui também. Na última sexta-feira, eles me chamaram. Nunca tinha exposto na rua, só vendia minhas criações para amigos, diz. Ela conta que começou a produzir trabalhos manuais há dois anos, ao podar a jabuticabeira do seu quintal. Ali vislumbrou as potencialidades dos troncos de madeira.
Foi uma luz de Deus. E se ele me deu esse dom, eu tenho que aproveitar, afirma. A jabuticabeira de Mari Cristine continua rendendo enfeites, que podem ser comprados na banca do Calçadão em forma de miniaturas de árvores, a partir de R$ 15,00.
Há mais tempo na feira, Renato Ignan e a esposa, Olga Maria, 50, já conquistaram clientela assídua. Isso porque eles arriscaram trazer para Londrina uma receita incomum na culinária local, mas que já é velha conhecida de paulistas, matogrossenses e moradores do Norte brasileiro. Banana verde frita. Alimenta naturalmente, diz o cartaz da barraca.
O produto é vendido em saquinhos de 35 gramas, a R$ 0,50, e o cliente decide na hora se quer adicionar sal, açúcar ou canela. O pessoal que experimentou está sempre voltando para buscar mais. Nosso recorde foi vender 195 pacotinhos em um dia, conta Ignan. A cada semana ele usa 350 bananas, que têm de estar bem verdes para garantir consistência e gosto ideais, semelhantes a batatas fritas. O vizinho de barraca Marcelo Machado, 47, um dos grandes fãs e consumidores da iguaria, garante que o produto é ainda melhor que as batatinhas industrializadas. É mais sequinho e saboroso, indica.
A Feira do Feito à Mão é realizada todos os domingos, das 10 às 16 horas, oferecendo roupas, acessórios, enfeites e utensílios para a casa, quadros, brinquedos e variedade de comidas, entre outros produtos.


