A poda de uma jabuticabeira fez a ex-bancária Mari Cristine Escudeler, 49 anos, descobrir seu talento para produzir artesanato ornamental. Ao mesmo tempo, Renato Ignan, 50, viu que a banana verde podia render dinheiro enquanto morava no Vale do Ribeira, em São Paulo, região forte no cultivo da fruta. Cada um desses londrinenses resolveu apostar em sua idéia e o resultado pode ser visto no Calçadão de Londrina, sempre aos domingos.
Esse é o retrato da chamada ‘‘Feira do Feito à Mão’’, que desde junho ocupa três quarteirões do coração da cidade, entre a Rua Hugo Cabral e a Avenida São Paulo. A exposição é um mosaico de idéias, onde cada um busca um diferencial para atrair o público, em meio a uma concorrência cada vez mais acirrada. Ontem, cerca de 25 novos artesãos passaram a integrar a feira, de acordo com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). O número de expositores autorizados já chega a 250.
Bem longe das brigas com fiscais que parecem caracterizar o comércio no Calçadão – vide a polêmica da abertura de lojas nos fins de semana, as transferências constantes dos hippies e o embargo aos camelôs – os expositores têm a benção da CMTU para vender seus produtos, sem nenhuma taxa, tendo apenas que levar a própria barraca. As vantagens têm estimulado a estréia de artesãos de primeira viagem, como Mari Cristine, que teve ontem sua primeira participação em feiras de artesanato.
‘‘Há uns 5 meses, visitando a feira, tive a idéia de me cadastrar na CMTU para conseguir um espaço aqui também. Na última sexta-feira, eles me chamaram. Nunca tinha exposto na rua, só vendia minhas criações para amigos’’, diz. Ela conta que começou a produzir trabalhos manuais há dois anos, ao podar a jabuticabeira do seu quintal. Ali vislumbrou as potencialidades dos troncos de madeira.
‘‘Foi uma luz de Deus. E se ele me deu esse dom, eu tenho que aproveitar’’, afirma. A jabuticabeira de Mari Cristine continua rendendo enfeites, que podem ser comprados na banca do Calçadão em forma de miniaturas de árvores, a partir de R$ 15,00.
Há mais tempo na feira, Renato Ignan e a esposa, Olga Maria, 50, já conquistaram clientela assídua. Isso porque eles arriscaram trazer para Londrina uma receita incomum na culinária local, mas que já é velha conhecida de paulistas, matogrossenses e moradores do Norte brasileiro. ‘‘Banana verde frita. Alimenta naturalmente’’, diz o cartaz da barraca.
O produto é vendido em saquinhos de 35 gramas, a R$ 0,50, e o cliente decide na hora se quer adicionar sal, açúcar ou canela. ‘‘O pessoal que experimentou está sempre voltando para buscar mais. Nosso recorde foi vender 195 pacotinhos em um dia’’, conta Ignan. A cada semana ele usa 350 bananas, que têm de estar bem verdes para garantir consistência e gosto ideais, semelhantes a batatas fritas. O vizinho de barraca Marcelo Machado, 47, um dos grandes fãs e consumidores da iguaria, garante que o produto é ainda melhor que as batatinhas industrializadas. ‘‘É mais sequinho e saboroso’’, indica.
A Feira do Feito à Mão é realizada todos os domingos, das 10 às 16 horas, oferecendo roupas, acessórios, enfeites e utensílios para a casa, quadros, brinquedos e variedade de comidas, entre outros produtos.

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