Para alguns comerciantes do Calçadão de Londrina, o estado de conservação desse cartão postal da cidade ilustra o que consideram uma vergonha. Já o poder público, representado ontem de manhã na reunião entre os empresários e a Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara Municipal, se justificou, arrogando que a situação não é bem assim e que está faltando um pouco de auto-estima entre o empresariado. Porém, todos concordaram numa coisa: o espaço precisa ser revitalizado.
  O primeiro passo para a revitalização do local foi dado com a criação de uma comissão de trabalho formada por 10 membros, incluindo representantes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Secretaria Municipal de Obras, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), Secretaria de Cultura, Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), além dos empresários do Calçadão e vereadores.
  Um abaixo-assinado com cerca de 100 nomes de lojistas que representariam cerca de 35% das ofertas de postos de trabalho no comércio da área central, foi encaminhado aos vereadores, o que motivou a reunião.
  Os empresários também apresentaram um dossiê sobre o estado de conservação do Calçadão em que apontam, através de fotos e matérias da imprensa, que 50% das luminárias do local apresentam algum tipo de defeito ou estão depredadas.
  Os 28 anos do Calçadão, que têm no revestimento em petit-pavet uma de suas principais características, não são suficientes para garantir a vontade de que o mosaico português seja preservado. A maioria dos empresários considera que o calçamento é mal fixado, podendo provocar acidentes com pedestres.
  Sobrou ainda reclamações sobre a limpeza do espaço, que seria lavado apenas uma vez por mês. Eles reivindicaram a varrição diária e a lavagem pelo menos a cada 15 dias. O comércio ilegal dos camelôs também foi alvo de críticas.
  O empresário Rachid Zabian foi um dos mais enfáticos, destacando o problema dos ambulantes. Ele disse que a prefeitura fez certo ao criar o Camelódromo, mas pecou pela falta de fiscalização.
  ‘‘Nedson ganhou a eleição em cima do Calçadão, que é uma vergonha’’, desabafou o empresário, que também abriu as portas para a discussão sobre a possibilidade do empresariado investir num projeto de revitalização. Ele chegou a dizer que doaria a construção de um banheiro público.
  ‘‘É preciso a elaboração de um bom projeto, idéias boas. Dinheiro tem. É preciso boa vontade’’, afirmou Zabian, propondo, inclusive, a antecipação IPTU, como aconteceu em Bauru (SP), onde um projeto semelhante contou com a parceria dos comerciantes.
  Na avaliação do empresário Carlos Morillas, o comércio central é prejudicado pela falta de acesso à região. Ele ressaltou que os visitantes de outras cidades têm somente dois pontos na Avenida Leste/Oeste, na altura da Rua Pernambuco e nas proximidades do Pronto Atendimento Infantil (PAI). ‘‘Gostaria de sugerir uma alça de acesso perto da delegacia (10ªSDP) para que os visitantes cheguem ao centro’’, apontou Morillas. Ele cobrou também a flexibilização no horário do comércio.
  Sobre a substituição ou não do petit-pavet, o secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas disse que será objeto de discussão, inclusive com a comunidade. O secretário disse ainda que a prefeitura está preocupada com a revitalização da área central, mas que não dá para dizer que o cartão postal está abandonado.
  Freitas afirmou ainda que um projeto de revitalização já havia sido elaborado há cerca de um ano e meio, orçado na época em R$ 6 milhões. O secretário acredita que, atualmente, o investimento seria de pelo menos R$ 8 milhões.
  Ele ressaltou que existem pontos do petit-pavet que estão se soltando, mas que a equipe de três operários para consertar os estragos foi aumentada para seis homens.
  A iluminação do Calçadão esbarra num problema. Atualmente, mais de 30 globos dos postes de luz em formato de pinheiro estão quebrados e o estoque é de 42 globos. Por ser antigos, as trocas são difíceis. ‘‘É preciso padronizar toda a iluminação da cidade. De preferência igual a da Praça Marechal Floriano Peixoto, que remete à tradição da cidade’’, argumentou.
  Já a poluição visual provocada pelos postes de energia elétrica, que sustentam muitos transformadores, a solução demanda investimentos altos para que a rede passe a ser subterrânea.
  O diretor de Trânsito da CMTU, Álvaro Grotti destacou que a companhia está fazendo um levantamento sobre a situação dos quiosques do Calçadão, sendo que alguns estão sem documentação ou inadimplentes. A retirada de alguns desses comerciantes ajudará a melhorar o aspecto visual do local. Grotti destacou que a CMTU está com duas equipes de fiscalização para coibir o comércio dos ambulantes.

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