Alexandre Sanches
No domingo é uma imensidão. Aqui ou lá, uma criança ou outra brinca de bola ou anda de bicicleta. Mais adianta, uma família: pai, mãe e filho caminham com a tranquilidade de quem passeia por um lugar vazio. O quiosque de sorvete tem fregueses esporádicos. O sorveteiro assiste TV e muito raramente é obrigado a deixar a sua cadeira de plástico para atender alguém. Um rapaz solitário ocupa um banco da praça. Um carro atravessa o local desrespeitando a área destinada aos pedestres.
De segunda à sexta-feira a imagem é outra. Desde o começo da manhã já se vê, naquele mesmo espaço que no domingo abrigou a tranquilidade, gente apressada. Rostos com expressões pesadas se misturam com pessoas de sorriso fácil. A mulher, sentada num canto, pede esmola. O homem passa e diz que no momento não tem nada. Assim acontece na segunda. Cena que se repete na terça e prossegue até a sexta. Gente e mais gente caminha quase correndo e se tromba. De vez em quando, sobra um pedido de desculpas. Na maioria das vezes, nem se observa quem foi o descuidado que veio de encontro.
É o cotidiano do Calçadão de Londrina, lugar de várias caras, de acordo com os dias da semana. No sábado, por exemplo, tudo se mistura no lugar – menos a tranquilidade dos domingos e dos dias de feriado.
A transformação acontece mesmo nas manhãs de sábado, quando o fluxo de pessoas é maior. Ainda há, nesse período, gente que corre de um lado a outro, saldando seus compromissos profissionais. Mas a eles se somam as famílias que aproveitam o sábado para fazer compras, passear.
Nesse dia, nos cinco quarteirões de extensão sobre a Avenida Paraná é possível encontrar de tudo: pastores fazendo suas pregações, bêbados pedindo esmolas, boêmios sentados nos quiosques, malabaristas, músicos e artistas populares tentando mostrar o seu talento, políticos fazendo campanha ou demonstrando seus interesses.
Como no último sábado, quando até membros do Conselho Comunitário da Zona Leste usaram o espaço para sua campanha pela segurança pública do município, a poucos metros de onde se apresentaram os participantes de um evento de corais que aconteceu no final de semana na cidade. Não muito longe, alunos da escola municipal de teatro e pessoas vestidas de palhaço divulgaram seus eventos. E ninguém se incomodou com isso. Pelo contrário, respeitando a característica de espaço democrático que o Calçadão emana, todos os figurantes daquele rotina da manhã de sábado procuraram dividir sua atenção para aquilo que consideraram mais importante.
E os frequentadores desta verdadeira passarela estão alheios aos moradores dos prédios residênciais que ficam à sua volta. Há aqueles que não gostam de barulho à sua porta e sempre reclamam. Mas parece que a vontade popular prevalece nos quiosques, no coreto montado mais recentemente no final do Calçadão e, principalmente, na Boca Maldita, onde os políticos e interessados na política local se reúnem constantemente para trocar pontos de vista e ficar informados do que acontece no município.
À noite, nos domingos e feriados, a passarela volta a ficar tranquila e cede espaço para as crianças que moram na vizinhança, com seus jogos de bola, brincadeiras de pique e passeios de bicicleta. E o Calçadão se transforma em um grande play ground, cumprindo mais uma de suas funções, que no geral é a de disponibilizar aos londrinenses e visitantes da cidade um lugar que agrade a todos.

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