Nos dias que antecedem o Natal, o movimento de consumidores no Calçadão de Londrina é maior que o de ambulantes. O arrocho da fiscalização dos últimos dias resultou na migração dos informais para ruas próximas. Trechos importantes da São Paulo e João Cândido transformaram-se em verdadeiros ''shoppings a céu aberto''. O principal produto: DVDs e CDs piratas.
A concorrência é forte. Melhor para a clientela, que não precisa andar muito para pesquisar os preços. Há até quem anuncie promoções e comercialize cinco filmes por ''apenas'' R$ 10,00. Quem está disposto a gastar sola de sapato e rodar o Centro da cidade para comprar os discos no paralelo verifica rapidamente que um verdadeiro cartel domina o setor. Três por R$ 10,00. Este é o preço da maior parte dos vendedores de DVDs estabelecidos, ou quase, no Anel Central.
Algum tempo atrás, um simples passeio pelo Calçadão era suficiente para transformar o transeunte num consumidor. Ou pelo menos consumidor em potencial. Foi-se o tempo em que era necessário entrar nas lojas para ter contato direto com produtos e a lábia dos vendedores.
Hoje, a situação está invertida. Quem era gato (consumidor) transformou-se em rato (alvo de disputa). Ao andar pelo Centro, é preciso disputar espaço nas calçadas, convertidas num verdadeiro mercado persa. É possível encontrar vendedores dos mais diferentes tipos de produtos, de frutas a isqueiros, além dos principais lançamentos do cinema e da música.
Quem passa no Centro também precisa driblar, caso não queira entrar em financiamentos de longo prazo e juros idem, os promotores de financeiras. E quem quer manter o mistério sobre o futuro, que - para muitos, a Deus pertence, tem que ser ágil para livrar-se da marcação cerrada das ciganas.
Um Calçadão ocupado de forma menos intensa pelos ambulantes é resultado, de acordo com a Companhia Muncipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), da estratégia do órgão de ocupar efetivamente a área comercial do Centro. Só que dentro da capacidade da equipe de fiscais, hoje formada por 36 profissionais, para percorrer tanto as vias centrais quanto os bairros.
A contratação de mais fiscais está em andamento. A partir de janeiro, mais 35 estarão nas ruas para treinamento prático. O combate é feito em parceria com os policiais militares, responsáveis por evitar confrontos entre fiscalizadores e fiscalizados.
E trabalho é o que não falta para a equipe da CMTU. A conta não inclui os vendedores das áreas periféricas. Mas mesmo quem está longe do olho do furacão não está livre das temidas apreensões de mercadorias.
''Não vamos permitir a ocupação de espaço público de forma ostensiva. A fiscalização vai verificar se os vendedores têm autorização da CMTU'', explicou o presidente da Companhia, Mauro Yamamoto.
A meta do órgão público é ''deixar o Calçadão mais bonito'' nesse fim de ano. Algumas medidas estão em andamento, como lavagem do piso e pintura de bancos. Além de deixar o espaço mais livre para quem vai gastar os dias e noites de dezembro rodando de loja em loja.
Quem trabalha no mercado paralelo é obrigado a mudar de ares e buscar clientes em localidades menos movimentadas e lucrativos. Caso de uma família que, sob a proteção de uma marquise de estabelecimento comercial, buscava, na tarde de quinta-feira, ganhar os reais necessários para abater suas inúmeras dívidas.
Os débitos resultam de uma vida de trabalho como autônomo, sem garantia nenhuma de receita, e de um negócio malfeito. A compra de um carro recentemente apreendido numa blitz por estar com os documentos irregulares. Agora, o que resta é ganhar dinheiro a conta-gotas - foram R$ 30,00 - num dia todo de trabalho - e ver as despesas crescendo, como a fiscalização da CMTU.

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