Calçada é lugar de gente andar, parar, conversar com amigos e até agachar para ajeitar o nó do sapato. Em alguns trechos de determinadas ruas, as calçadas têm sombras, proporcionadas por árvores frondosas. Calçada, enfim, é uma trilha dos tempos atuais, onde se pode fazer tantas coisas sem correr o risco de ser atropelado por um carro que desce a avenida zunindo, em velocidade muito acima da permitida para uma via urbana.
Mas nem sempre as calçadas podem ser usadas, em toda a sua extensão, para o gostoso exercício de caminhar, a terapêutica perda de tempo para jogar conversa fora, ou o neurótico costume de deixar as pontas dos laços dos sapatos do mesmo comprimento. Nem sempre as calçadas estão disponíveis para as pessoas andarem protegidas dos pilotos de automóveis que usam as ruas para tentar provar que são bons e ágeis motoristas.
Coisas da cidade, diria o idoso, que saiu há décadas da antiga colônia de café, numa comunidade rural qualquer de Londrina. Ele receia, aliás, ele não pode encarar o que está à frente. Empurra um carrinho de sorvete, que de tão malconservado parece marrom claro, mas traz evidências de ter sido branco quando novo. Desce a Rua João XXIII, quase no anel central de Londrina, vencendo buracos que tomam algumas calçadas do lugar. De repente tem impedindo o seu percurso um amontoado de areia e outro de pedras. O carrinho e o idoso vão para a rua, enquanto um carro desce raspando e dois operários trabalham nas obras de reforma de uma bela casa.
Calçada, ali, é depósito de material de construção. E se o poder público permite, imaginaria o idoso, é porque pedestre, naquele trecho, tem que caminhar na rua. Esse mesmo personagem iria, se o cansaço não impedisse e o tempo permitisse, caminhar nas margens de um fundo de vale. Seria, por acaso, aquele ladeado pela Rua Foz do Iguaçu, na zona oeste de Londrina?
Tomara que não. Alguém constrói num trecho uma grande casa. Usa o local reservado para as caminhadas como depósito de tijolos e área para os operários trabalharem as ferragens. Há quem caminhe pelo local, de manhã e nos fins de tarde. Anda pela rua, exposto aos riscos do campeonato de velocidade promovido por alguns motoristas.

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