Caixas de assistência se reúnem para discutir a crise no setor
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de julho de 1997
Da Redação 
Desde 1º de julho o telefone da Caixa de Assistência da Fundação Sanepar de Londrina (Assepas) não pára de tocar. Os motivos: os usuários enfrentam dificuldades para ser atendidos; cirurgias marcadas anteriormente são adiadas em cima da hora; e muito mais. O que nos preocupa são as dificuldades no atendimento dos casos de urgência. Situações como as de Vicente e Carmona têm sido uma constante, afirma Rosângela Medeiros, da Caixa da Sanepar.
Ela acredita que, enquanto não houver um acordo entre a AML e a Assepar, a situação dos usuários do serviço vai continuar grave. Com a imposição da Lista de Procedimentos Médicos de 96, praticamente todos os médicos, laboratórios e hospitais estão se negando a atender pela Fundação. Nunca precisamos enfrentar este tipo de situação. Sempre houve negociação. A Caixa de Assistência da Fundação Sanepar tem cerca de 1.500 usuários em Londrina. A maioria dos funcionários da empresa recebe entre R$ 250 e R$ 400.
Rosângela Medeiros explica que, ao contrário dos convênios particulares e seguros de saúde, as caixas de assistência não visam lucro. O custo do atendimento médico-hospitalar e de exames é subsidiado pelas empresas, ficando uma parte a cargo dos funcionários. Com o aumento frequente dos procedimentos médicos, atualmente a Fundação da Sanepar responde por apenas 30% das consultas. Já foi o inverso, comenta. De acordo com a Fundação Sanepar, desde a criação do Plano Real o valor das consultas médicas no Paraná subiu três vezes, passando de R$ 12,40, no início do plano, para R$ 16,00. Depois sucessivamente para R$ 20,00 e R$ 25,00.
Até 30 de junho a Fundação Sanepar pagava R$ 25,00 a consulta médica. Exames laboratoriais e cirurgias, têm cobertura parcial ou total, de acordo com o salário do funcionário. Só em Londrina, a Fundação repassa R$ 90 mil por mês pelo atendimento médico dos funcionários e dependentes.
Na mesma situação dos usuários da Caixa de Assistência da Sanepar, estão cerca de 25 mil outros usuários das fundações de empresas como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Copel etc. Por isso, na segunda-feira, chegam a cidade o presidente da Associação das Entidades Paranaenses de Benefícios Assistenciais (Assepas), Carlos Eduardo Ogliari, e o diretor Aderval Paulo Filho. A associação representa 26 instituições em todo o Paraná.
As caixas de assistência não podem ser colocadas nos mesmos parâmetros que os convênios particulares e seguros de saúde. Nós tentamos negociar com a AML, mas seus membros se mostraram inflexíveis, não aceitando nada menos que a implantação imediata da LPM-96 total, afirma Aderval Filho. Os dirigentes da Assepas vêm para se reunir com as várias caixas de assistência da Cidade, dar esclarecimentos sobre a situação e orientar sobre os procedimentos legais possíveis frente ao problema.
(Célia Baroni)


