Caixa regulariza invasão de prédios em Cascavel
Paulo Pegoraro
A quase totalidade das famílias que haviam ocupado, em 1995, os 496 apartamentos do Residencial das Palmeiras, na zona norte de Cascavel, são agora proprietárias de fato e de direito dos imóveis. De invasores, estão passando à condição de mutuários da Caixa Econômica Federal (CEF) e até quitando o financiamento, conforme descontos oferecidos. No Residencial das Palmeiras protagonizou-se a primeira e uma das maiores ocupações urbanas organizadas na história de Cascavel, e a única de apartamentos. Os 31 blocos do conjunto estavam vazios há vários anos e os sem-teto apontavam a existência de superfaturamento nas obras.
O gerente de Mercado do Escritório de Negócios da CEF José Carlos Martini, informou ontem que 94,5% das famílias já estão com situação inteiramente regularizadas. Há a possibilidade de apenas 15 famílias não assinarem contratos de financiamento, por motivos como dificuldades para pagar as prestações. Quem optou pelo financiamento em 25 anos aceitou prestação de R$ 141,00, que fica indexada aos reajustes salariais. Outras opções foram financiamento em 36 meses, decidido por 145 famílias, e liquidação de todo o saldo devedor, com desconto de 50% - opção de 64 moradores.
Segundo José Carlos Martini, o problema das 15 famílias que não tiveram situação regularizada passa à competência exclusiva da cooperativa habitacional Coheste, responsável pela construção do Residencial das Palmeiras. A cooperativa talvez busque outros interessados nos apartamentos, acrescentou, classificando como muito acima das expectativas os resultados obtidos. Isto foi possível através de negociações envolvendo CEF, Coheste - que abriu mão de receber a poupança dos financiamentos -, prefeitura e até mesmo um cartório de registro de imóveis, que abriu mão de parte de taxas. As famílias sempre exigiram condições acessíveis para o financiamento, o que foi aprovado pela diretoria da CEF.
A mobilização dos sem-teto foi permanente, e cresceu quando a Justiça concedeu à cooperativa a reintegração de posse nos imóveis, em 96. A construção foi iniciada em 92. Os prédios permaneceram vazios vários anos, porque as prestações eram consideradas muito caras, o que, segundo denunciaram os sem-teto na época da ocupação, resultava de superfaturamento nas obras. A CEF investigou a denúncia, mas não houve conclusões. Os apartamentos, com 63 metros quadrados, são de baixo padrão, e a área tem quadra de esportes, salão social, pavimentação interna e guarita.





