Caixa pede caução para financiar casas populares
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sexta-feira, 30 de agosto de 2002
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão - Uma nova exigência da Caixa Econômica Federal para financiar a construção de casas dentro de projeto de desfavelamento deve atrasar a segunda etapa de retiradas de moradores da favela São Francisco de Assis, em Campo Mourão. A Caixa está pedindo que a prefeitura deposite uma caução de R$ 2,5 mil para cada nova unidade que for construída na cidade. O dinheiro seria devolvido à medida que as prestações fossem pagas.
''Essa exigência invialibiliza os nossos projetos'', reclamou ontem o prefeito Tauillo Tezelli (PPS). Para construir as 134 unidades previstas na segunda etapa de desfavelamento, a prefeitura teria que fazer um depósito de R$ 328 mil. ''Não temos esse dinheiro'', ressaltou Tezelli. ''Nessas condições, preferimos que a própria prefeitura banque a construção, sem fazer financiamento. Vamos fazendo aos poucos.''
Segundo a secretária do Planejamento, Ricardina Dias, o custo total de uma casa do projeto de desfavelamento é de cerca de R$ 12,4 mil. Praticamente a metade desse valor - em torno de R$ 6 mil - é o custo do terreno e da infra-estrutura (água, luz, esgoto, asfalto, entre outros) que já é pago pelo município. ''A prefeitura paga 50% e não recebe nada por isso, diferente da Cohapar, que dá o resto mas cobra a prestação'', disse o prefeito.
A favela São Francisco de Assis, localizada na saída para Goioerê, tem cerca de 250 barracos e mais de mil moradores. Na primeira etapa foram beneficiados com casas 40 moradores da comunidade, sendo que 29 já deixaram os barracos. Um projeto anterior eliminou 144 barracos de favelas menores na Asa Leste da cidade. O índice de inadimplência entre os novos mutuários, no entanto, passa dos 70%.


