Caixa nega liberação de recursos para obras paradas da Encol
Caixa nega liberação
de recursos para obras
paradas da Encol
Instituição diz que há estudos, mas por enquanto a solução
ainda é individual, como no caso do Edifício Harmony Palace
Compradores de um
prédio conseguiram
financiamento junto
ao banco Sudaméris
Marcos Freitas
Especial para a Folha
Albari RosaBento Arce Gomez, com a mulher Neiva e a filha Laura, em frente ao Edifício Harmony Palace, onde comprou um apartamento: ele garante que agora vai vigiar a obra de perto para não ser passado para trásA Caixa Econômica Federal negou ontem que vai liberar R$ 700 milhões para o término das obras inacabadas da Encol em todo o Brasil. A assessoria de imprensa da CEF disse que há estudos para a liberação de verbas, mas até agora não há nada acertado. Já a secretária da Associação Nacional dos Clientes da Encol, Maria Cristina Bergo, afirma que, em reunião no último sábado, os clientes da Encol receberam a notícia de que a CEF vai liberar R$ 350 milhões para obras em todo o Brasil. Há ainda a notícia da liberação de outros R$ 500 milhões que viriam do Banco do Brasil via Banco Itaú.
Enquanto isso, alguns mutuários estão encontrando soluções particulares, através de financiamentos. É o que fizeram os compradores de apartamentos no Edifício Harmony Palace, no bairro Juvevê em Curitiba, que está paralisado desde maio do ano passado. Os proprietários se reuniram e conseguiram que o Banco Sudameris financie a obra, que está 70% pronta.
Para o professor aposentado Bento Arce Gomez, 57 anos, o primeiro a comprar um apartamento no edifício, a solução não agradou. Ele já havia pago R$ 30 mil à construtora e vai ter de financiar mais R$ 90 mil com o banco. Quando comprei o apartamento o preço era de R$ 70 mil. Depois desse calote ainda vou ter de pagar mais R$ 90 mil. É um absurdo, disse indignado. Gomez informa que a prestação do apartamento passa de R$ 1.400,00 por mês, e dificilmente conseguirá quitá-lo. O financiamento vai ser de 13 anos com juros de 12% ao ano. Gomez afirmou ainda que na época da quebra da Encol ele se sentiu órfão do poder público. Logo que aconteceu a falência da Encol, o governo foi à TV e disse que não iria ajudar ninguém, disse. Mas quando quebra um banco, o dinheiro já está disponível. Isto é uma vergonha. Eu me sinto um verdadeiro otário neste país.
A previsão para a entrega do edifício de 20 andares deve acontecer dentro de seis meses. Por precaução, o professor Gomez diz que vai acompanhar a obra diariamente junto com a mulher Neiva e a filha de onze meses, Laura. Dessa vez não vou deixar ninguém me passar para trás, conta.





