Caixa não reconhece assinatura antiga
Lucio Horta
O aposentado Francisco Xavier Coutinho, 59 anos, procurou a Folha ontem de manhã para reclamar que não conseguiu sacar a restituição do Imposto de Renda (IR). Ele disse que foi até a agência centro da Caixa Econômica Federal em Londrina e a funcionária do banco - primeiro um caixa, depois uma gerente - disse que não aceitaria o documento de identidade dele. O motivo: a assinatura atual era diferente da que está no documento.
Essa carteira é original, de 1977, e sempre saquei a restituição com ela. Claro que de lá para cá a assinatura mudou. Mas nunca tive problema, disse. O aposentado contou que chegou a apresentar cartões de banco, cartão de crédito, talão de cheque, carteira de aposentado da Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml). Tudo para provar que eu era eu mesmo.
A alternativa apresentada pela Caixa, segundo Coutinho, seria retirar a impressão digital. Mas isso é humilhante, eu sou alfabetizado e não aceitei. Perdi a paciência, reclamou o aposentado. Essa é a primeira vez que isso acontece. Agora não sei mais o que vou fazer.
Roberto Luiz Bachmann, gerente de mercado do escritório de negócios da Caixa para a região de Londrina, explicou que a conferência de assinaturas é uma medida de segurança que protege o próprio cliente. Se não há possibilidade de identificar alguns traços, não podemos pagar. E a opção é a digital, que é o sistema mais seguro que a gente tem hoje disponível, aponta.
O gerente destaca que a coleta da digital, feita com um rolo de tinta, é um procedimento muito simples e, se o cliente preferir, pode ser feito reservadamente, longe da atenção dos outros clientes do banco. Procuramos não constranger ninguém, observou.
No começo da tarde, Francisco Coutinho procurou novamente a Folha para informar que foi à outra agência da Caixa, na Avenida Duque de Caxias (área central), para tentar receber a restituição - no valor de R$ 630,70. Apresentei o mesmo documento de identidade e me pagaram normalmente. Ninguém falou nada, revelou o aposentado.





