Caixa estuda esquema para lotéricas
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quarta-feira, 15 de agosto de 2001
Betânia Rodrigues<BR>De Londrina 
A Caixa Econômica Federal (CEF) vai contratar uma empresa de consultoria que desenvolverá um esquema de segurança destinado a acabar com a vulnerabilidade das casas lotéricas ante a ousadia dos ladrões. A informação é de Aldemar Mascarenhas, presidente do Sindicato dos Lotéricos do Paraná e vice-presidente da Federação Nacional dos Empresários Lotéricos (FENAL). Segundo ele, a solução do problema depende, basicamente, de empenho das duas partes.
Atualmente, as lotéricas funcionam como uma extensão das agências da Caixa. Elas recebem contas de água, luz, telefone, Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e depósitos. Da mesma forma, pagam saques, aposentadorias, PIS, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), bolsa-escola e outros benefícios federais. ''Essa é uma estratégia para não acumular dinheiro no caixa'', explicou Mascarenhas.
Para Tomas Luis Gonçalves, proprietário da Lotérica Quadra e Quina de Londrina, a Caixa deveria dar mais apoio aos empresários. Segundo ele, o alarme e o circuito interno de televisão, exigidos pelo banco, não dão segurança a ninguém. ''Mesmo que a polícia encontre os ladrões com a ajuda da fita, a possibilidade de recuperar o dinheiro é nula'', acrescentou.
Com o pagamento que recebe do banco, Gonçalves disse que é inviável manter um vigia particular. Conforme a superintendência regional da Caixa, os lotéricos recebem 9% dos prognósticos da Megasena, Supersena, Quina, Lotomania e Loteria Esportiva; 32% sobre a venda dos bilhetes da Loteria Federal; 13% sobre a venda dos bilhetes da Loteria Instantânea e de R$ 0,22 a R$ 0,30 por cada fatura recebida. ''Essa é uma questão que podemos resolver com o aumento da comissão que já está sendo estudado. Pior mesmo seria se os empresários perdessem esse serviço que, em alguns casos, chega a 80% da renda do estabelecimento'', ponderou Mascarenhas.
Na opinião de Roberto Bachamann, gerente de mercado do escritório de negócios da Caixa em Londrina, a segurança da casa lotérica é responsabilidade do empresário que assume o risco ao assinar o contrato de concessão com o banco. Mas, diante do aumento da violência, a instituição desenvolveu um treinamento específico para os novos parceiros. ''O risco de um lotérico ser roubado é igual a de qualquer outro comerciante. Se isso acontecer, pagamos 50% do seguro de valores'', frisou o gerente.
O medo de que a divulgação do assunto chame ainda mais a atenção dos ladrões faz com que muitos lotéricos se calem. Sem se identificar, um deles disse que, por precaução, fecha as portas do estabelecimento às 18 horas junto com a maioria dos comerciantes. ''A imprensa faz muito sensacionalismo. O perigo é igual para todos'', respondeu outra empresária.
A Polícia Civil de Londrina não tem uma estatística do número de roubos a lotéricas, mas sabe que eles aumentaram nos últimos dois meses, principalmente até o dia 10. O sindicato da categoria acredita que isso é uma consequência da ampla divulgação da parceria com a Caixa na mídia. Por isso os empresários evitam falar em números.


