Caixa eletrônico tem programa de voz
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quinta-feira, 06 de março de 2008
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Os usuários de banco que possuem deficiência visual já podem, em pelo menos uma agência de Londrina, utilizar sozinhos os terminais de auto-atendimento. O Banco do Brasil acaba de instalar na agência localizada no prédio da prefeitura o primeiro terminal com programa de voz, que permite ao usuário receber as instruções e informações através de um fone de ouvido.
A coordenadora executiva do Centro de Vida Independente (CVI) e assessora de políticas de inclusão da pessoa com deficiência do município, Martinha Clarete Dutra, aprovou o sistema. Ontem, porém, ao voltar à agência, teve problemas para utilizar sozinha o terminal. ''A informação é que um técnico fez uma intervenção na máquina onde o programa está instalado e ele deixou de funcionar, mas que iriam providenciar o conserto.''
Martinha revelou que reivindicava a instalação do sistema desde o final de 2004, quando o Decreto de Acessibilidade entrou em vigor. Além do banco estatal, também o Real deve colocar em breve à disposição dos clientes um terminal com a tecnologia disponível. ''Todos os bancos precisam ter o sistema de voz instalado em pelo menos uma das máquinas. Assim, qualquer pessoa que tiver dificuldade em usar o equipamento de auto-atendimento, como por exemplo os idosos, pode ser beneficiado'', argumenta a coordenadora do CVI. Ela informa que o Ministério Público já foi acionado e deverá cobrar de todos os bancos a instalação do equipamento.
Para Martinha, que tem deficiência visual, o sistema de voz significa mais autonomia e o fim de situações constrangedoras. ''Até então eu tinha que vir ao banco somente em horário comercial para ser atendida diretamente nos caixas ou solicitar ajuda de um funcionário. O problema é que como eu só enxergo vultos, nunca sabia quem era o funcionário, então tinha que chegar e ficar aguardando que um deles percebesse e viesse falar comigo. Ou seja, não tinha autonomia e não era respeitada nos meus direitos.''
Martinha explica que a pessoa deve se cadastrar como deficiente visual no banco, e assim que ela introduzir o cartão o sistema é acionado e a tela do terminal escurece imediatamente. Ela lembra, porém, que além do sistema de voz os bancos devem instalar piso tátil que identifique ao portador de deficiência qual máquina tem o sistema.
Esta providência ainda não foi tomada na agência do Banco do Brasil. A reportagem procurou a superintendência regional da instituição ontem para falar sobre o assunto mas foi informada que todos os responsáveis estariam em reunião durante toda a tarde.


