Nos horários de pico, o telefone 193 toca quase ininterruptamente. No entanto, muitas ligações são para pedir ajuda em situações que não são da competência do Siate. Após um ano de funcionamento do Siate local, há pessoas que ainda não sabem ao certo qual o objetivo do serviço.
Na noite de sexta-feira, após o jogo de futebol entre Brasil e Costa Rica, uma senhora liga para a central, preocupada com a mãe. Ela teria assistido ao jogo e ficado muda. Questionada sobre as condições da mãe, a pessoa responde que ela está normal, de olhos abertos. ‘‘Mas ela não quer falar’’, insiste.
O médico do Siate, Mauro Roberto Basso, lembra que há alguns meses, uma pessoa ligou para o número 193 pedindo que o Siate socorresse um cavalo que caiu no buraco. ‘‘Tivemos que explicar que não fazíamos esse tipo de atendimento’’, diz. Segundo ele, a maioria das pessoas entende e se conforma com os argumentos.
O nível de informação das pessoas melhorou, afirma Mauro Basso, mas muitos ainda insistem em ligar para o Siate querendo ajuda para levar doentes para o hospital, por exemplo. O serviço é solicitado ainda para transportar gestantes, atender vítimas de intoxicações e tentativas de suicídio.
As equipes do Siate se deparam também com muitos casos envolvendo pessoas alcoolizadas, principalmente nos finais de semana. O médico acredita que em 80% das ocorrências as pessoas apresentam hálito etílico - termo utilizado pelo Siate.
Felizmente, muitos casos não chegam a ser graves e os integrantes do Siate conseguem identificar as ocorrências que envolvem pessoas alcoolizadas em poucos minutos de conversa ao telefone. É o que aconteceu quando a central do Siate recebeu um telefonema à noite, às 23 horas, avisando que um senhor estava andando de bicicleta, sofreu uma queda e bateu a cabeça. ‘‘A essa hora, caiu sozinho de bicicleta, só pode ter bebido’’, comenta um dos integrantes do Siate.
Uma ambulância é deslocada para o local do acidente e, poucos minutos depois, vem a confirmação via rádio: a vítima estava alcoolizada, mas não sofreu nada grave na queda. Apenas uma escoriação na orelha.

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