Representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai), Ministério Público (MP) e Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) estiveram reunidos ontem à tarde na sala de reuniões do CREA-Pr para a discutir os impactos sócios-ambientais causados pela Usina Termoelétrica de Apucaraninha, localizada na
terra indígena em Taramana (63 km ao sul de Londrina).
Um estudo feito pelo economista Jorge Madeira, da Universidade de Brasília (UnB), avaliou danos causados à população caingangue durante a construção da usina, na década de 40. Ontem, técnicos da Silvconsult, empresa de consultoria contratada pela Copel para avaliar a área, argumentaram que a região estudada por Madeira é maior do que a área que seria de responsabilidade da Copel.
De acordo com algumas avaliações da empresa de consultoria, alguns impactos causados à região da reserva indígena não foram de responsabilidade da Copel, como a alteração da disponibilidade dos peixes e da dieta indígena.
Segundo informações do Ministério Público Federal, as condições apresentadas pelo estudo feito pela UnB, aponta que a comunidade indígena deveria receber uma indenização de até R$ 75 milhões, recurso destinado à recuperação ambiental da área e ao desenvolvimento de atividades produtivas auto-sustentáveis e etnicamente orientadas.
Mas a proposta apresentada pela Copel na reunião, tendo como base os estudos realizados pela empresa de consultoria, diz que a comunidade indígena deve receber apenas R$ 6.649.969,00, descontando também o valor pago anualmente pela Copel à prefeitura de Tamarana. Assim, o valor recebido pela comunidade seria de R$ 3.489.173,00.
O promotor do Ministério Público Federal, João Akira Omoto, disse que o MP não tem condições de avaliar as argumentações apresentadas pela Copel nesse momento, por isso uma nova avaliação será feita no prazo de 90 a 120 dias. ''Infelizmente, a comunidade indígena que já aguarda uma posição há quatro anos terá que aguardar mais um pouco. Em março será realizada uma nova reunião''.

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