Caingangues sofrem com nova tragédia
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de novembro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Uma semana depois de concluída a reconstrução do Centro Cultural Caingangue (Zona Sul de Londrina), destruído por um incêndio no início do ano passado, os caingangues foram abatidos por uma nova tragédia. Quatro casas que fazem parte da morada provisória dos índios, instalada no mesmo terreno do centro cultural, foram consumidas pelo fogo na noite de anteontem. Até ontem, ainda era desconhecida a causa do incidente.
A filha do caingangue Neive Marcorino, 40, foi uma das crianças que constataram o incêndio e começaram a gritar, por volta das 22 horas. O pai estava ausente e só chegou a tempo de afastar os meninos e salvar alguns objetos. ''Perdemos roupas, panelas, só sobrou o bule. Os brancos vieram ajudar a gente a tirar as coisas e tentar apagar o fogo'', contou, referindo-se a transeuntes e vizinhos. Feitas de madeira com telhado de sapé, quatro casas ficaram completamente destruídas. O incêndio também atingiu a caixa d'água que abastece as casas e um banheiro comunitário.
Marcorino é um dos cerca de 50 índios que acampam periodicamente no local. Segundo a coordenadora do Programa de Atendimento ao Caingangue da prefeitura de Londrina, Marlene de Oliveira, as casas são utilizadas para permanência provisória de caingangues que vêm à cidade vender artesanato ou utilizar serviços da área urbana. Marcorino está há dois meses acampado na área, junto com dois filhos, enquanto a mulher se submete a tratamento de câncer num hospital.
Marlene afirmou que uma criança disse ter visto o fogo ''vindo da rua'', o que indicaria incêndio criminoso. ''Não sei se foi um vândalo ou alguém que pretendia atingir os índios, mas com certeza foi uma ação deliberada. É chocante, estavam todos dormindo e poderiam ter morrido se o fogo não fosse logo descoberto'', declarou.
A Polícia Federal (PF) esteve na área pela manhã. O órgão irá instaurar inquérito para apurar o fato. O administrador regional da Funai, José Gonçaves, informou que irá ''registrar o caso na Procuradoria da Funai, em Curitiba''.
Já os reparos e construção de novas casas ficarão a cargo da prefeitura. A coordenadora adiantou que as próximas moradias terão de ser construídas no mesmo padrão do Centro Cultural, com telhas cerâmicas e tijolos revestidos com madeira, para conservar as características originais. A causa e os autores do incêndio que destruiu o centro em fevereiro de 2004 ainda não foram descobertos pela polícia, de acordo com Marlene.


