Caingangues querem explorar turismo
Lucilia Okamura
De Londrina
A Reserva Indígena Apucaraninha, em Tamarana (63 km ao sul de Londrina), pode ser transformada em um ponto turístico. A Fundação Nacional do Índio (Funai), com apoio de outras instituições, está elaborando um projeto de exploração turística da área, que deve estar concluído até o final do mês. Antes de ser colocado em prática, o projeto precisa do aval da Funai, em Brasília.
A área da reserva, de 5.574 hectares, é formada por mata nativa, rios, cachoeiras e diversas trilhas. O ponto mais conhecido é o Salto do Apucaraninha, com uma queda dágua de 116 metros de altura. Segundo o administrador regional da Funai, José Gonçalves, a idéia é explorar esse grande potencial turístico para conseguir uma fonte de renda aos índios caingangues da reserva.
Gonçalves informou que a proposta de transformar o local em ponto turístico foi dos próprios índios. Basicamente, o projeto prevê um alojamento para turistas, aquisição de dois barcos para navegar pelos rios, construção de pontilhões, sinalização em todos os locais e a instalação de um ponto de venda de produtos artesanais.
Prevê ainda um alojamento na margem do Rio Apucarana Grande, distante da aldeia. Assim, a comunidade indígena não sofrerá impacto com os turistas, afirmou. A equipe de guias e fiscais para atuar na área será formada pelos índios da reserva. Na opinião de Gonçalves, se o local for bem fiscalizado, os turistas não irão sujar ou contribuir para a degradação da reserva. Com este projeto, as áreas degradadas vão poder ser revitalizadas, com o reflorestamento de plantas nativas, por exemplo.
O projeto começou a ser elaborado há cerca de três meses e, segundo Gonçalves, conta com o apoio da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Norte do Paraná (Unopar) e prefeitura de Londrina. O administrador regional disse acreditar que o projeto estará concluído até o final do mês.
Depois de pronto, ele terá de ser submetido à análise do Departamento de Produções e Meio Ambiente da Funai, em Brasília. Caso o órgão acene positivamente, será feito um levantamento dos custos necessários para a implantação do projeto. Gonçalves disse que será mantido um contato com organizações não-governamentais (ONGs) para obter recursos.
O administrador da Funai vê com bons olhos o projeto por acreditar que será uma alternativa para a comunidade indígena obter recursos. Atualmente, os 1.172 índios vivem da agricultura de subsistência e da venda de artesanato. Assistência médica e odontológica são feitas pelas prefeituras de Londrina e Tamarana.
Segundo Gonçalves, uma outra reserva indígena, a de Laranjinha, em Santa Amélia (Norte Pioneiro), também tem um projeto para obter recursos de forma alternativa. Trata-se da exploração e venda de água mineral e medicinal que brota de uma mina dentro da reserva.
O administrador regional da Funai informou que a assessoria indígena de Curitiba conseguiu que o governo estadual liberasse uma verba de R$ 120 mil para a reserva poder comercializar a água. Mas, segundo ele, a verba não chegou até agora.Proposta dos índios da Reserva Apucaraninha, em Tamarana, é transformada em projeto pela Funai e duas universidades
Fotos Mário CesarBELEZA E OTIMISMOMoradias e paisagem da Reserva Indígena Apucaraninha, em Tamarana, onde a comunidade caingangue propõe a exploração do turismo para obter renda e preservar a região. Abaixo, o chefe da Funai no posto indígena, Nazareno Marcolino: Além de comercializar o artesanato produzido aqui, quem vai trabalhar aqui serão os próprios índios





