Silvana Leão
De Londrina
Londrina saiu na frente do projeto apresentado recentemente pelo Ministério da Saúde de assistência ao índio, que prevê uma parceria de trabalho com os municípios localizados perto de reservas indígenas. Há sete anos, a cidade implantou o Programa de Atendimento aos Caingangues do Posto Indígena Apucaraninha. ‘‘O município conta com este programa pioneiro, que é administrado pelas secretarias de Saúde e Ação Social e engloba vários aspectos da saúde e Vigilância Sanitária’’, explica a coordenadora Marlene de Oliveira.
A Fundação Nacional do Índio (Funai) vai deixar de ser a responsável pelas atividades de prevenção doenças e de assistência médica aos índios brasileiros. Por determinação do Ministério da Saúde, a tarefa agora é da Fundação Nacional de Saúde (FNS). Para atender o novo projeto, serão implantados 33 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) no País.
Londrina será um dos pólos-base. Para apresentar a proposta e discutir o assunto com o secretário de Saúde do município, Agajan Der Bedrossian, esteve ontem em Londrina o diretor do Departamento de Operações da Funasa, Ubiratan Pedrosa Moreira. Também participaram da reunião diretores das regionais de saúde de Londrina, de Cornélio Procópio e de Jacarezinho, além de vários dirigentes do setor.
Segundo Bedrossian, a intenção do Ministério da Saúde é ‘‘amarrar’’ com os municípios que estão próximos às reservas indígenas a garantia de assistência à saúde, através de uma forma hierárquica de atendimento. ‘‘Não foi falado sobre recursos que seriam disponibilizados para isso, até porque os índios já são atendidos pelo SUS como qualquer outro cidadão, mas de incentivos para garantir este atendimento’’, esclareceu o secretário.
O novo modelo de assistência à saúde do índio que está sendo adotado atualmente foi proposto na 2ª Conferência de Saúde para os Povos Indígenas, que aconteceu em 1993. Chamado de política de Atenção Integral à Saúde Indígena, o programa vai absorver, de agora até o ano de 2002, um total de R$ 362 milhões.
O programa prevê ainda a capacitação, pelos próprios distritos, de quatro mil agentes de saúde indígenas, que serão a base inicial da rede de atenção à saúde. Estes agentes serão escolhidos na própria aldeia em que residem e terão papel fundamental no projeto, que pretende atender os cerca de 326 mil índios de 215 etnias existentes no Brasil.
Marlene de Oliveira acredita que o trabalho realizado pela prefeitura de Londrina não vai sofrer muitas alterações. Atualmente, o programa é realizado por uma equipe formada por dois médicos, uma enfermeira, um dentista, dois auxiliares de enfermagem, um auxiliar mantido pela Funai e um agente comunitário.

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