Josoé de CarvalhoCoroCrianças se apresentam: hino na língua caingangueTelma Elorza
O prefeito de Londrina (sem partido), Antonio Belinati, inaugurou ontem o Vãre - Centro Cultural Kaingáng -, que vai abrigar os índios da Reserva Apucaraninha quando estiverem na cidade para vender artesanato. A obra custou R$ 65 mil e foi idealizada pela Secretaria Municipal de Ação Social, em parceria com as Secretarias de Cultura, Educação, Meio Ambiente, Ippul, Comurb e órgãos como Funai e Universidade Estadual de Londrina (UEL). A inauguração marcou as comemorações do Dia do Índio. Cerca de 100 índios da Reserva Apucaraninha, que fica no município de Tamarana (62 km ao sul de Londrina), participaram do evento. Um coro de crianças da reserva cantou o Hino Nacional em caingangue (grafia aportuguesada), acompanhado pela Banda Municipal.
Josoé de CarvalhoJanelaÍndia caingangue com os filhos: ‘Gostei desse lugar’A solenidade contou com a presença da vice-governadora Emília Belinati, da Secretária Municipal de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento, vereadores Elza Correia (sem partido) e Salvador Francisco (PSB); do presidente do Conselho Indígena do Paraná, Pedro Seg-Seg; do presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Lorival de Oliveira; do assessor indígena do Paraná, Edir Batistelli; do administrador da Funai no norte do Paraná, José Gonçalves dos Santos; do cacique da reserva Apucaraninha, Jucelino Virgílio e do presidente do Conselho Administrativo da Folha, João Milanez, entre outras autoridades.
Segundo a secretária Marisa do Nascimento, Vãre quer dizer acampamento provisório em caingangue. ‘‘E é isto que o centro vai ser. Em vez de ficarem debaixo de lonas, em acampamentos improvisados sem as mínimas condições, os caingangues que vierem à cidade comercializar seus produtos terão um local seguro e adequado para recebê-los’’, explicou.
Josoé de CarvalhoEspaçoFamílias poderão ficar no local durante duas semanas: capacidade para 50 pessoasAlém disso, Marisa disse que o centro deverá servir também como referência cultural para a sociedade. ‘‘Aqui temos espaço de exposição para material bibliográfico, audiovisual, fotos, pinturas e tudo o que esteja relacionado à cultura caingangue’’, afirmou.
O centro cultural reúne, além do local de exposições, oito casas-abrigo em madeira - com capacidade para atender 50 pessoas -, seis banheiros e local para lavagem de roupas, com um total de 233 metros quadrados de área construída em um terreno de aproximadamente 60 mil metros quadrados, na Avenida Dez de Dezembro. ‘‘As formas das casas, o trançado do telhado em sapé, o piso, as cores usadas, tudo foi discutido com a comunidade indígena para que seguissem os mesmos padrões tradicionais usados na aldeia’’, afirmou a secretária.
Marisa explicou que as famílias poderão ficar abrigadas no local por até duas semanas. ‘‘Elas deverão trazer a portaria assinada pelo cacique, determinando o tempo de permanência na cidade. Vencido o prazo, deverão voltar para a aldeia’’, explicou. Segundo ela, o centro só poderá ser usado pelos índios da Reserva Apucaraninha. ‘‘Os que vêm de outras reservas, infelizmente não teremos condições de atender’’, explicou.

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